Endocardite em Prótese Valvar: Diagnóstico de Abscesso

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Homem, 62 anos, portador de prótese valvar aórtica biológica há 4 anos devido a estenose calcificada, procura o pronto-atendimento com quadro de febre diária (até 38,8°C), calafrios e astenia progressiva há 10 dias. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, descorado 1+/4+, com pressão arterial de 115/65 mmHg e frequência cardíaca de 102 bpm. À ausculta cardíaca, nota-se sopro diastólico em foco aórtico 2+/6+, que o paciente refere não existir em consultas prévias. O eletrocardiograma de repouso revela um ritmo sinusal com novo prolongamento do intervalo PR para 240 ms, sem registros anteriores de bloqueios de condução. Foram colhidas hemoculturas que, após 24 horas, demonstram crescimento de cocos Gram-positivos em pares e cadeias curtas. O ecocardiograma transtorácico (ETT) realizado à beira-leito evidenciou função ventricular preservada e prótese valvar com folhetos espessados, porém sem vegetações nitidamente visualizadas devido à sombra acústica do material protético. Diante do quadro clínico e laboratorial descrito, a conduta mais adequada no momento é:

Alternativas

  1. A) Indicar o implante de marcapasso transvenoso temporário de urgência.
  2. B) Solicitar ecocardiograma transesofágico para avaliação de abscesso perivalvar.
  3. C) Repetir o ecocardiograma transtorácico em 7 dias para observar evolução.
  4. D) Substituir o esquema antibiótico empírico por daptomicina em altas doses.

Pérola Clínica

Endocardite + novo BAV/PR longo → suspeitar de abscesso perivalvar → solicitar ETE.

Resumo-Chave

O prolongamento do intervalo PR em vigência de endocardite de valva aórtica sugere extensão perianular da infecção (abscesso). O ecocardiograma transesofágico é superior ao transtorácico na avaliação de próteses.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa em prótese valvar é uma condição de alta morbimortalidade. A presença de um novo sopro de regurgitação aórtica associado a distúrbios de condução elétrica (como o aumento do intervalo PR) é um sinal clássico de abscesso de anel aórtico. O ecocardiograma transtorácico (ETT) possui limitações técnicas significativas devido à sombra acústica gerada pelo material protético, o que pode ocultar vegetações e abscessos. Portanto, o ecocardiograma transesofágico (ETE) torna-se mandatório pela sua maior resolução e proximidade com as estruturas posteriores do coração, permitindo a visualização detalhada da região perianular e a confirmação diagnóstica necessária para o planejamento terapêutico, muitas vezes cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Por que o intervalo PR prolongado é preocupante na endocardite?

O prolongamento do intervalo PR ou novos bloqueios de condução sugerem que a infecção ultrapassou o folheto valvar e atingiu o tecido de condução adjacente, indicando formação de abscesso perivalvar, complicação comum na topografia aórtica que exige avaliação imediata.

Quando indicar o ecocardiograma transesofágico (ETE) de imediato?

O ETE deve ser a primeira escolha ou realizado precocemente em pacientes com próteses valvares, dispositivos intracardíacos, má janela acústica no transtorácico ou alta suspeita clínica de complicações como abscessos e fístulas, devido à sua maior sensibilidade.

Quais os principais agentes etiológicos na endocardite de prótese tardia?

Após um ano da cirurgia (prótese tardia), o perfil microbiológico assemelha-se ao da endocardite em valva nativa, com predominância de Staphylococcus aureus, Streptococcus do grupo viridans e Enterococos, diferindo da fase precoce dominada por estafilococos coagulase-negativos.

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