Endocardite Infecciosa Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015

Enunciado

Paciente de cinco anos de idade, do sexo feminino, procedente do interior do estado do Acre, com história de febre há 4 semanas, prostração e mau estado geral. Encontrava- se irritada porém orientada. Ao exame físico: face pálida 3+/4+, precórdio hiperdinâmico com íctus propulsivo no 4º e 5º espaço intercostal, de duas polpas digitais, próximo ao mamilo esquerdo. Ausculta cardíaca: ritmo cardíaco em três tempos com sopro sistólico 3+/6+ audível na borda esternal esquerda baixa na região tricúspide e mitral, irradiado à fossa axilar esquerda. Frequência cardíaca: 125 bpm em repouso. Saturação: 95% em ar ambiente. Frequência respiratória: 55 irpm. Abdome doloroso, porém sem sinais de irritação peritoneal. Fígado palpável a 5 cm do rebordo costal direito. Genitália feminina sem alterações. Pulsos presentes e simétricos nas quatro extremidades. Membros: hemiplegia esquerda com evolução de aproximadamente duas semanas. Assinale a alternativa que mais explica os sintomas e sinais da paciente:

Alternativas

  1. A) Endocardite infecciosa.
  2. B) Cardite reumática. 
  3. C) Acidente vascular cerebral.
  4. D) Lúpus eritematoso sistêmico.

Pérola Clínica

Febre prolongada + sopro novo + fenômenos embólicos (AVC) em criança = Endocardite Infecciosa até prova em contrário.

Resumo-Chave

A endocardite infecciosa em crianças é uma condição grave que se manifesta com febre prolongada, sopros cardíacos novos ou alterados, e sinais de embolização sistêmica, como o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A prostração e a insuficiência cardíaca também são achados comuns.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa (EI) em crianças é uma condição rara, mas com alta morbimortalidade, exigindo um alto índice de suspeita clínica. Geralmente ocorre em crianças com cardiopatias congênitas pré-existentes ou dispositivos intracardíacos, embora possa afetar corações estruturalmente normais. A apresentação clínica é variada, mas a tríade de febre prolongada, sopro cardíaco novo ou alterado e fenômenos embólicos ou imunológicos deve levantar a suspeita. A prostração, palidez e sinais de insuficiência cardíaca são achados comuns que refletem a gravidade da infecção. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações nas válvulas cardíacas ou no endocárdio, que são compostas por microrganismos, fibrina e plaquetas. Essas vegetações podem se desprender, causando embolias sépticas para diversos órgãos, incluindo o cérebro, resultando em acidentes vasculares cerebrais isquêmicos, como a hemiplegia descrita na questão. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Duke modificados, que combinam achados clínicos, microbiológicos (hemoculturas positivas) e ecocardiográficos (presença de vegetações). O tratamento da EI é prolongado e consiste em antibioticoterapia intravenosa de alta dose, guiada por hemoculturas e testes de sensibilidade. Em alguns casos, a intervenção cirúrgica pode ser necessária para remover vegetações grandes, reparar válvulas danificadas ou drenar abscessos. O reconhecimento precoce e o tratamento agressivo são cruciais para prevenir complicações graves e melhorar o prognóstico, que ainda é desafiador em pediatria.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de endocardite infecciosa em crianças?

Os principais sinais incluem febre prolongada, sopro cardíaco novo ou alterado, prostração, palidez, e fenômenos embólicos como hemiplegia (AVC), petéquias ou esplenomegalia. Sinais de insuficiência cardíaca também podem estar presentes.

Como o AVC pode estar relacionado à endocardite infecciosa?

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma complicação grave da endocardite infecciosa, resultante da embolização de fragmentos das vegetações valvares (compostas por plaquetas, fibrina e microrganismos) para o sistema nervoso central, causando isquemia cerebral.

Quais exames são essenciais para o diagnóstico de endocardite infecciosa?

Os exames essenciais incluem hemoculturas seriadas para identificar o agente etiológico e ecocardiograma (transtorácico ou transesofágico) para visualizar as vegetações valvares e avaliar a função cardíaca. Exames laboratoriais como hemograma e marcadores inflamatórios também são úteis.

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