Endocardite Infecciosa: Diagnóstico e Sinais Chave

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 60 anos, com estenose aórtica moderada, com dor precordial a grandes esforços, relata quadro de febre diária, de 38 a 39°C, há 40 dias. O quadro do paciente evolui com aparecimento de hematúria dismórfica, proteinúria e CH50 baixo. No exame físico, apresenta mácula avermelhada na palma da mão e fundo de olho com manchas de Roth. Para a definição da complicação dessa valvulopatia, deve-se realizar:

Alternativas

  1. A) ecocardiograma e duas hemoculturas
  2. B) pesquisa de fator antinuclear e autoanticorpos
  3. C) ecocardiograma, cintigrafia miocárdica e eletrocardiograma
  4. D) pesquisa de fator antinuclear, cintigrafia miocárdica e biópsia renal

Pérola Clínica

Estenose aórtica + febre prolongada + fenômenos embólicos/imunológicos (Manchas de Roth, Janeway, glomerulonefrite) → Endocardite Infecciosa = Ecocardiograma + Hemoculturas.

Resumo-Chave

O quadro clínico com febre prolongada em paciente com valvopatia, associado a sinais periféricos (Manchas de Roth, máculas na palma) e acometimento renal (hematúria, proteinúria, CH50 baixo), é altamente sugestivo de endocardite infecciosa com fenômenos embólicos e imunológicos. O diagnóstico definitivo requer hemoculturas e ecocardiograma para visualização de vegetações.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa é uma condição grave que envolve a infecção do endocárdio, geralmente das válvulas cardíacas. É mais comum em pacientes com valvopatias preexistentes, próteses valvares, cardiopatias congênitas ou usuários de drogas intravenosas. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente, com complicações como insuficiência cardíaca, embolia sistêmica e insuficiência renal. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações nas válvulas, compostas por plaquetas, fibrina e microrganismos. O diagnóstico é guiado pelos Critérios de Duke, que combinam achados clínicos (febre, fenômenos vasculares e imunológicos) com evidências microbiológicas (hemoculturas positivas) e ecocardiográficas (vegetações). A suspeita deve ser alta em pacientes com febre de origem indeterminada e fatores de risco cardíacos. O tratamento consiste em antibioticoterapia prolongada e, em alguns casos, cirurgia. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico, do agente etiológico e da presença de complicações. É crucial que residentes saibam reconhecer os sinais e sintomas, solicitar os exames adequados e iniciar a terapia empírica enquanto aguardam os resultados das culturas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da endocardite infecciosa?

Os principais sinais incluem febre prolongada, sopro cardíaco novo ou alterado, fenômenos embólicos (AVC, embolia pulmonar, lesões de Janeway) e fenômenos imunológicos (Manchas de Roth, nódulos de Osler, glomerulonefrite). A fadiga e perda de peso também são comuns.

Qual a conduta diagnóstica inicial para suspeita de endocardite infecciosa?

A conduta inicial envolve a coleta de múltiplas hemoculturas (pelo menos três pares de locais diferentes, com intervalo de tempo) e a realização de um ecocardiograma (transtorácico inicialmente, transesofágico se a suspeita for alta ou o transtorácico for inconclusivo) para buscar vegetações.

Como a estenose aórtica se relaciona com a endocardite infecciosa?

A estenose aórtica, como outras valvulopatias, é um fator de risco para o desenvolvimento de endocardite infecciosa. A turbulência do fluxo sanguíneo através da válvula estenótica pode danificar o endotélio, criando um nicho para a adesão bacteriana e formação de vegetações.

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