SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Paciente com diagnostico de endocardite infeciosa em tratamento com antibiótico, apresenta febre persistente, dor abdominal, soluços. Qual complicação mais provável?
Endocardite + Febre persistente + Dor abdominal/Soluços → Suspeitar de Abscesso Esplênico.
A embolização séptica é uma complicação comum da endocardite, e o baço é um sítio frequente. O abscesso esplênico manifesta-se com febre mantida e irritação diafragmática (soluços).
A endocardite infecciosa é uma doença sistêmica com manifestações extra-cardíacas frequentes. Cerca de 20-50% dos pacientes apresentam eventos embólicos. O baço é o órgão abdominal mais comumente afetado. A persistência da febre após 7 dias de antibioticoterapia adequada deve sempre levantar a suspeita de complicações como abscessos perivalvares, resistência bacteriana ou focos metastáticos (abscessos esplênicos, cerebrais ou osteomielite). O manejo requer uma abordagem multidisciplinar entre cardiologia, infectologia e cirurgia.
A endocardite infecciosa, especialmente a de valva aórtica ou mitral, predispõe à fragmentação das vegetações valvares. Esses fragmentos (êmbolos sépticos) viajam pela circulação sistêmica e podem se alojar na artéria esplênica ou seus ramos, causando infarto esplênico seguido de liquefação e formação de abscesso. É uma complicação grave que pode exigir intervenção cirúrgica ou drenagem.
O baço está localizado logo abaixo do hemidiafragma esquerdo. A presença de um processo inflamatório ou infeccioso expansivo, como um abscesso no polo superior do baço, causa irritação direta do nervo frênico ou do próprio músculo diafragmático. Essa irritação mecânica e inflamatória desencadeia o reflexo do soluço, sendo um sinal clínico clássico de patologia subdiafragmática.
O diagnóstico inicial é geralmente feito por ultrassonografia abdominal ou, preferencialmente, tomografia computadorizada com contraste, que possui maior sensibilidade. O tratamento envolve a manutenção da antibioticoterapia sistêmica prolongada. Em casos de abscessos grandes, multiloculados ou sem resposta clínica, a esplenectomia ou a drenagem percutânea guiada por imagem são indicadas.
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