Complicações da Endocardite: Abscesso Esplênico e Embolia

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente com diagnostico de endocardite infeciosa em tratamento com antibiótico, apresenta febre persistente, dor abdominal, soluços. Qual complicação mais provável?

Alternativas

  1. A) Efeito colateral antibioterapia.
  2. B) Gastrite relacionada a antibioticoterapia empírica.
  3. C) Abscesso perivalvar.
  4. D) Embolização sistémica com abscesso esplênico
  5. E) Resistência bacteriana evoluindo com sepse.

Pérola Clínica

Endocardite + Febre persistente + Dor abdominal/Soluços → Suspeitar de Abscesso Esplênico.

Resumo-Chave

A embolização séptica é uma complicação comum da endocardite, e o baço é um sítio frequente. O abscesso esplênico manifesta-se com febre mantida e irritação diafragmática (soluços).

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa é uma doença sistêmica com manifestações extra-cardíacas frequentes. Cerca de 20-50% dos pacientes apresentam eventos embólicos. O baço é o órgão abdominal mais comumente afetado. A persistência da febre após 7 dias de antibioticoterapia adequada deve sempre levantar a suspeita de complicações como abscessos perivalvares, resistência bacteriana ou focos metastáticos (abscessos esplênicos, cerebrais ou osteomielite). O manejo requer uma abordagem multidisciplinar entre cardiologia, infectologia e cirurgia.

Perguntas Frequentes

Como ocorre a formação do abscesso esplênico na endocardite?

A endocardite infecciosa, especialmente a de valva aórtica ou mitral, predispõe à fragmentação das vegetações valvares. Esses fragmentos (êmbolos sépticos) viajam pela circulação sistêmica e podem se alojar na artéria esplênica ou seus ramos, causando infarto esplênico seguido de liquefação e formação de abscesso. É uma complicação grave que pode exigir intervenção cirúrgica ou drenagem.

Por que o paciente apresenta soluços no abscesso esplênico?

O baço está localizado logo abaixo do hemidiafragma esquerdo. A presença de um processo inflamatório ou infeccioso expansivo, como um abscesso no polo superior do baço, causa irritação direta do nervo frênico ou do próprio músculo diafragmático. Essa irritação mecânica e inflamatória desencadeia o reflexo do soluço, sendo um sinal clínico clássico de patologia subdiafragmática.

Qual a conduta diante da suspeita de abscesso esplênico?

O diagnóstico inicial é geralmente feito por ultrassonografia abdominal ou, preferencialmente, tomografia computadorizada com contraste, que possui maior sensibilidade. O tratamento envolve a manutenção da antibioticoterapia sistêmica prolongada. Em casos de abscessos grandes, multiloculados ou sem resposta clínica, a esplenectomia ou a drenagem percutânea guiada por imagem são indicadas.

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