Endocardite Infecciosa: Diagnóstico e Conduta Urgente

UOPCCAN - União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (PR) — Prova 2021

Enunciado

Paciente 67 anos, hipertenso, cardiopata prévio, evoluindo quadro de arritmia taquicardíaco, sudoreico, quadro subfebril há 2 semanas. Apresentado ao exame físico sinais de Janeway, nódulos de Osler, membros superiores com sinais de tromboflebite e dor torácica difusa, com história prévia de múltiplas intercorrências em 1 ano de procura a unidade básica de saúde devido a “cansaço e fadiga” recebendo soro para hidratação endovenoso e polivitamínicos. Hoje evolui com diminuição de força a esquerda e anasarca. Sobre o provável diagnostico deste paciente considerando a doença em evolução a primeira medida a ser tomada é:

Alternativas

  1. A) Acompanhamento em UBS tratamento da arritmia e investigação reumatológica.
  2. B) Acompanhamento em UBS tratamento da arritimia pelo cardiologista e investigação infecciosa.
  3. C) Internamento hospitalar e tratamento clinico com possível intervenção cirúrgica.
  4. D) Internamento hospitalar e investigação neurológica e reumatológica.

Pérola Clínica

Febre + sopro novo + fenômenos embólicos (Janeway, Osler, AVC) = Endocardite Infecciosa → Internamento e tratamento urgente.

Resumo-Chave

O quadro clínico, com febre prolongada, cardiopatia prévia, sinais periféricos de embolia (Janeway, Osler) e fenômenos neurológicos (diminuição de força à esquerda por AVC embólico), é altamente sugestivo de Endocardite Infecciosa. Esta é uma emergência médica que requer internação imediata para investigação e tratamento agressivo, muitas vezes com antibióticos endovenosos e, em casos selecionados, cirurgia cardíaca.

Contexto Educacional

A Endocardite Infecciosa (EI) é uma infecção grave do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas, com alta morbimortalidade. É mais comum em pacientes com cardiopatias prévias, uso de drogas intravenosas, próteses valvares ou dispositivos cardíacos. O reconhecimento precoce é crucial para um desfecho favorável, sendo um tema de grande relevância clínica e para provas de residência. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações nas valvas, compostas por plaquetas, fibrina e microrganismos. Estas vegetações podem causar destruição valvar, levando à insuficiência cardíaca, ou embolizar para outros órgãos, causando infartos ou abscessos. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Duke, que combinam achados clínicos (febre, fenômenos vasculares e imunológicos), microbiológicos (hemoculturas positivas) e ecocardiográficos (vegetações, abscessos). O tratamento da EI é complexo e geralmente requer antibioticoterapia prolongada e intravenosa, guiada por culturas e sensibilidade. Em muitos casos, a intervenção cirúrgica é necessária para remover vegetações grandes, reparar ou substituir valvas danificadas, ou drenar abscessos. A decisão de operar é baseada em fatores como insuficiência cardíaca, embolia recorrente, infecção não controlada e tamanho das vegetações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais periféricos da Endocardite Infecciosa?

Os principais sinais periféricos incluem nódulos de Osler (lesões dolorosas nas polpas digitais), lesões de Janeway (máculas eritematosas indolores nas palmas e plantas), hemorragias em lasca nas unhas e manchas de Roth na retina.

Qual a conduta inicial em um paciente com suspeita de Endocardite Infecciosa?

A conduta inicial é internação hospitalar imediata, coleta de hemoculturas (pelo menos 3 amostras de locais diferentes antes de iniciar antibióticos), ecocardiograma (transtorácico e/ou transesofágico) e início de antibioticoterapia empírica intravenosa.

Quais são as complicações mais graves da Endocardite Infecciosa?

As complicações mais graves incluem insuficiência cardíaca (por destruição valvar), embolia sistêmica (AVC, isquemia mesentérica, infarto esplênico/renal), abscessos (cerebrais, esplênicos) e glomerulonefrite.

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