HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Uma jovem de 15 anos é atendida na emergência devido febre astenia há 24 horas e sopro 4+/6+ em foco mitral. Durante anamnese relata antecedente de furúnculo, cujo último episódio teria ocorrido há 7 dias. Considerando os dados clínicos e epidemiológicos a hipótese diagnóstica principal é:
Jovem com febre, sopro mitral 4+/6+ e antecedente de furúnculo → suspeitar de Endocardite Infecciosa.
A presença de febre, astenia e um sopro cardíaco novo ou modificado em um paciente jovem, especialmente com um histórico recente de infecção cutânea (furúnculo), levanta forte suspeita de endocardite infecciosa. Embora furúnculos sejam tipicamente associados a *Staphylococcus aureus*, a questão direciona para *Streptococcus Viridans*, que é uma causa comum de endocardite subaguda, frequentemente em válvulas previamente lesadas.
A endocardite infecciosa é uma doença grave caracterizada pela infecção do endocárdio, geralmente envolvendo as válvulas cardíacas. Sua incidência varia, mas é uma condição com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com febre de origem indeterminada e sopro cardíaco, ou em indivíduos com fatores de risco como valvopatias preexistentes, uso de drogas intravenosas ou infecções recentes. A fisiopatologia da endocardite envolve a formação de vegetações nas válvulas cardíacas, compostas por plaquetas, fibrina e microrganismos. A bacteremia é um pré-requisito, e bactérias como *Streptococcus Viridans* (comum em endocardite subaguda, associada à flora oral) e *Staphylococcus aureus* (comum em endocardite aguda, associada a infecções de pele ou uso de drogas IV) são os principais agentes etiológicos. O antecedente de um furúnculo, embora classicamente associado a *S. aureus*, pode ser uma porta de entrada para qualquer bacteremia que, em um hospedeiro suscetível, pode levar à endocardite. O diagnóstico da endocardite infecciosa baseia-se nos Critérios de Duke, que combinam achados clínicos, microbiológicos (hemoculturas positivas) e ecocardiográficos (visualização de vegetações). O tratamento é prolongado, com antibióticos intravenosos, e pode exigir intervenção cirúrgica. É crucial que residentes e estudantes estejam atentos aos sinais e sintomas, como febre e sopro cardíaco novo, para iniciar a investigação e o tratamento o mais rápido possível, visando reduzir as complicações graves como embolia e insuficiência cardíaca.
Os sinais e sintomas incluem febre, calafrios, astenia, sudorese noturna, perda de peso, mialgia, artralgia e, classicamente, um sopro cardíaco novo ou modificado. Podem ocorrer fenômenos embólicos, imunológicos e vasculares, como petéquias, lesões de Janeway, nódulos de Osler e manchas de Roth.
Infecções cutâneas, como furúnculos, podem ser portas de entrada para bactérias na corrente sanguínea (bacteremia), que podem colonizar válvulas cardíacas previamente lesadas ou próteses, levando à endocardite infecciosa. *Staphylococcus aureus* é um patógeno comum associado a infecções de pele e endocardite aguda.
O *Streptococcus Viridans* faz parte da flora oral normal e é frequentemente associado à endocardite subaguda, especialmente após procedimentos dentários ou em pacientes com válvulas cardíacas previamente danificadas (como valvopatia mitral). Ele tende a causar uma doença de progressão mais lenta em comparação com o *Staphylococcus aureus*.
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