Endocardite Infecciosa Aguda: Etiologia e Diagnóstico

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Em relação à endocardite infecciosa aguda, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Causada com mais frequência pelo Staphylococcus aureus, agente mais associado à infecção de cateteres e próteses.
  2. B) As micobactérias são os agentes mais comuns em crianças menores de 1 ano.
  3. C) Os casos de endocardite fúngica geralmente são causados por espécies de Aspergillus.
  4. D) A endocardite infecciosa é mais comumente causada por infecção viral.

Pérola Clínica

S. aureus = principal agente na endocardite aguda e associada a dispositivos ou próteses precoces.

Resumo-Chave

A endocardite aguda é caracterizada por uma evolução rápida e destrutiva, sendo o Staphylococcus aureus o patógeno mais prevalente, especialmente em usuários de drogas IV ou portadores de dispositivos invasivos.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas. A apresentação aguda é marcada por febre alta, calafrios e toxicidade sistêmica, diferenciando-se da forma subaguda (frequentemente causada por Streptococcus do grupo viridans). O Staphylococcus aureus destaca-se pela capacidade de adesão a proteínas da matriz extracelular e produção de toxinas que facilitam a invasão tecidual. O manejo clínico exige a coleta de hemoculturas (pelo menos 3 sets de diferentes sítios) antes do início da antibioticoterapia empírica. O ecocardiograma transesofágico possui maior sensibilidade que o transtorácico para detectar vegetações pequenas, abscessos e perfurações valvares. O tratamento precoce é fundamental para prevenir insuficiência cardíaca aguda por destruição valvar e eventos embólicos cerebrais.

Perguntas Frequentes

Qual o agente mais comum na endocardite infecciosa aguda?

O Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum na endocardite infecciosa aguda. Ele é conhecido por sua alta virulência, sendo capaz de infectar valvas previamente sadias e causar destruição tecidual rápida. Além disso, é o principal patógeno associado a infecções de cateteres intravasculares e infecções precoces em próteses valvares (menos de 12 meses após a cirurgia). Sua identificação exige tratamento antibiótico imediato e vigoroso, muitas vezes com necessidade de intervenção cirúrgica devido a complicações como abscessos perivalvares ou embolia séptica.

Como os Critérios de Duke auxiliam no diagnóstico?

Os Critérios de Duke Modificados são a ferramenta padrão para o diagnóstico de endocardite infecciosa. Eles se dividem em critérios maiores (hemoculturas positivas para patógenos típicos e evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma) e menores (predisposição, febre, fenômenos vasculares, fenômenos imunológicos e evidência microbiológica sugestiva). O diagnóstico é definido com 2 critérios maiores, 1 maior e 3 menores, ou 5 critérios menores. Em casos de S. aureus, a suspeição clínica deve ser alta mesmo antes da positividade total dos critérios.

Quando suspeitar de endocardite fúngica ou por micobactérias?

A endocardite fúngica, frequentemente causada por Candida spp. (mais comum que Aspergillus), deve ser suspeitada em pacientes com uso prolongado de nutrição parenteral, imunossupressão grave ou usuários de drogas injetáveis. Já as micobactérias são causas extremamente raras e geralmente associadas a contaminação de materiais cirúrgicos em trocas valvares. Ambas apresentam vegetações maiores, maior risco de embolização e frequentemente exigem tratamento cirúrgico combinado com antifúngicos ou tuberculostáticos específicos, apresentando prognóstico mais reservado.

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