Endocardite Infecciosa: Diagnóstico com Ecocardiograma Transesofágico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 45 anos, apresenta episódios de febre de até 38,3ºC há 2 semanas. Sem outras queixas. Exame físico: FC: 98 bpm, PA: 138 x 80 mmHg. Ritmo cardíaco regular, com sopro diastólico em borda esternal esquerda 2+/4+, sem outros achados. Eletrocardiograma: normal. Ecocardiograma: valva aórtica bicúspide com imagem filamentar móvel em sua face ventricular e regurgitação leve. Hemoculturas: um par negativo no sétimo dia de leitura. Qual das imagens acima seria mais sugestiva para confirmar o diagnóstico deste paciente?

Alternativas

  1. A) Imagem C.
  2. B) Imagem B.
  3. C) Imagem A.
  4. D) Imagem D

Pérola Clínica

Suspeita de Endocardite Infecciosa + ETT inconclusivo/negativo → realizar Ecocardiograma Transesofágico (ETE).

Resumo-Chave

A presença de febre, sopro cardíaco e achados ecocardiográficos como vegetação em valva aórtica bicúspide são fortes indicativos de endocardite infecciosa. Em casos de alta suspeita com ecocardiograma transtorácico (ETT) limitado ou negativo, o ecocardiograma transesofágico (ETE) é o exame de escolha devido à sua maior sensibilidade para detectar vegetações e avaliar a extensão da doença.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção grave do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas. É caracterizada por febre, sopros cardíacos e fenômenos embólicos ou imunológicos. A valva aórtica bicúspide é um fator de risco congênito importante, predispondo à formação de vegetações. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Duke modificados, que combinam achados clínicos, microbiológicos e ecocardiográficos. O ecocardiograma é a principal ferramenta de imagem para o diagnóstico da EI, permitindo a visualização de vegetações, abscessos, perfurações valvares e novas regurgitações. O ecocardiograma transtorácico (ETT) é o exame inicial, mas sua sensibilidade pode ser limitada, especialmente para vegetações pequenas ou em pacientes com janela acústica ruim. Em casos de alta suspeita clínica, ETT negativo ou inconclusivo, ou para avaliar complicações, o ecocardiograma transesofágico (ETE) é o exame de escolha. Ele oferece maior resolução e sensibilidade, sendo crucial para confirmar o diagnóstico e guiar o manejo. O tratamento envolve antibioticoterapia prolongada e, em alguns casos, cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para endocardite infecciosa?

Os Critérios de Duke modificados incluem critérios maiores (hemoculturas positivas, evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma) e menores (febre, fenômenos vasculares/imunológicos, predisposição, evidência microbiológica não maior).

Por que a valva aórtica bicúspide é um fator de risco para endocardite?

A valva aórtica bicúspide é uma anomalia congênita que causa fluxo sanguíneo turbulento e estresse mecânico, predispondo à formação de vegetações e infecção bacteriana.

Quando o ecocardiograma transesofágico (ETE) é preferível ao transtorácico (ETT) na suspeita de endocardite?

O ETE é preferível quando o ETT é inconclusivo, negativo em alta suspeita clínica, para avaliar complicações (abscessos, fístulas) ou em pacientes com próteses valvares, devido à sua maior resolução e proximidade com o coração.

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