Endocardite Infecciosa: Sinais Clássicos e Diagnóstico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 48 anos é encaminhado a um hospital para investigação de febre persistente. Na história patológica pregressa, o paciente apresenta diagnóstico de retocolite ulcerativa. À fundoscopia direita, é identificada lesão arredondada com borda eritematosa e centro pálido, medindo cerca de 8 mm de diâmetro. Durante o exame físico, além de palidez cutaneomucosa leve e sopro cardíaco sistólico de baixa intensidade, são constatadas hemorragias subungueais em alguns quirodáctilos. Com base nesses achados clínicos, a hipótese diagnóstica mais provável é de

Alternativas

  1. A) endocardite infecciosa.
  2. B) leucemia mieloide aguda.
  3. C) vasculite leucocitoclástica.
  4. D) lúpus eritematoso sistêmico.

Pérola Clínica

Febre + sopro cardíaco + fenômenos vasculares (hemorragias subungueais) ou imunológicos (manchas de Roth) → alta suspeita de endocardite infecciosa.

Resumo-Chave

A presença de manifestações periféricas clássicas, como manchas de Roth na fundoscopia e hemorragias subungueais, em um paciente febril com sopro cardíaco, preenche critérios menores de Duke para endocardite infecciosa. A doença inflamatória intestinal, como a retocolite ulcerativa, é um fator de risco para bacteremia e endocardite.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas. É uma condição grave com alta morbimortalidade. Fatores de risco incluem cardiopatias estruturais prévias, uso de drogas intravenosas, presença de dispositivos intracardíacos e condições que predispõem à bacteremia, como a retocolite ulcerativa. O diagnóstico da EI é baseado nos Critérios de Duke modificados, que combinam achados clínicos, microbiológicos e de imagem. As manifestações clínicas são divididas em maiores (hemocultura positiva para agente típico, evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma) e menores (febre, fenômenos vasculares como hemorragias subungueais, e fenômenos imunológicos como as manchas de Roth). A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com febre de origem indeterminada e sopro cardíaco. O manejo consiste em antibioticoterapia prolongada, geralmente por 4 a 6 semanas, com esquema direcionado pelo agente isolado na hemocultura. O ecocardiograma transesofágico é fundamental para avaliar a extensão da doença, a presença de complicações (abscessos, perfurações) e a indicação de tratamento cirúrgico, que pode ser necessário em casos de insuficiência cardíaca, infecção não controlada ou embolia de repetição.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais periféricos da endocardite infecciosa?

Os principais achados são as manchas de Roth (hemorragias retinianas com centro pálido), lesões de Janeway (máculas eritematosas indolores em palmas e plantas), nódulos de Osler (nódulos violáceos dolorosos nas polpas digitais) e hemorragias subungueais lineares.

Qual a conduta inicial na suspeita de endocardite infecciosa?

A conduta inicial inclui a coleta de três pares de hemoculturas de sítios distintos com intervalo de tempo, antes do início da antibioticoterapia empírica, e a solicitação de um ecocardiograma, preferencialmente transesofágico, para visualizar vegetações valvares.

Como diferenciar endocardite infecciosa de lúpus eritematoso sistêmico?

A diferenciação se baseia na febre persistente, sopro cardíaco novo ou modificado e, crucialmente, hemoculturas positivas na endocardite infecciosa. O lúpus cursa com autoanticorpos específicos (FAN, anti-dsDNA) e pode apresentar a endocardite de Libman-Sacks, que é estéril (não infecciosa).

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