Diagnóstico de Endocardite Infecciosa: Abordagem Clínica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma paciente com 40 anos de idade, natural e procedente do Rio de Janeiro, relata que há cerca de dois meses vem apresentando febre superior a 38,5°C, cefaleia, anorexia, artralgias, emagrecimento e mal-estar. Realizou algumas consultas ambulatoriais e foi submetida a diversos exames complementares (radiografia de tórax, função hepática, urinocultura, sorologias para síndrome de mononucleose, sorologia anti-HIV, PPD, velocidade de hemossedimentação) sem esclarecimento diagnóstico. É internada em Hospital Geral para investigação. Na história patológica pregressa, a paciente refere varicela aos cinco anos de idade e vários episódios de “infecção de garganta” na infância. Nega viagens recentes. História familiar de diabetes mellitus e de câncer (não especificado). Ao exame apresenta: frequência respiratória = 20 irpm, frequência cardíaca = 92 bpm, pressão arterial = 120 × 80 mmHg; temperatura axilar = 38°C. Estado geral preservado, mucosas hipocoradas ++/4+, normo-hidratada, escleróticas anictéricas. Aparelho respiratório: murmúrio vesicular universalmente distribuído e ausência de ruídos adventícios. Ausculta cardiáca: ritmo cardíaco regular, em três tempos (B4), sopro sistólico 3+/6+ em foco mitral, sem irradiação. Abdome: flácido, com fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito, hepatimetria = 14 cm, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Os exames complementares mais adequados para estabelecer o diagnóstico dessa paciente são:

Alternativas

  1. A) Hemoculturas para microbactérias e fungos e tomografia computadorizada de tórax.
  2. B) Pesquisa de linfoblastos em sangue periférico e aspirado de medula óssea.
  3. C) Pesquisa de hematozoários em sangue periférico e teste sorológico de Widal.
  4. D) Hemoculturas para germes comuns e ecocardiograma transesofágico.

Pérola Clínica

Febre prolongada + Sopro novo + Esplenomegalia → Suspeitar de Endocardite Infecciosa.

Resumo-Chave

O diagnóstico de endocardite infecciosa baseia-se nos Critérios de Duke, exigindo evidência microbiológica (hemoculturas) e imagem cardíaca (ECO) para identificar vegetações ou regurgitação valvar.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa é uma doença grave com alta mortalidade se não tratada precocemente. O quadro clínico clássico envolve febre, sopro cardíaco e fenômenos embólicos ou imunológicos (como manchas de Roth, nódulos de Osler ou esplenomegalia). A paciente do caso apresenta febre de origem indeterminada e um sopro sistólico mitral significativo, o que torna a endocardite a principal hipótese diagnóstica. A investigação deve ser sistemática, seguindo os Critérios de Duke modificados. Além das hemoculturas e do ecocardiograma, deve-se estar atento a complicações como insuficiência cardíaca aguda, embolia séptica para o sistema nervoso central e abscessos esplênicos, que podem explicar a esplenomegalia encontrada no exame físico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores de Duke para endocardite?

Os critérios maiores de Duke incluem: 1) Hemoculturas positivas para microrganismos típicos (como S. viridans, S. bovis, grupo HACEK, ou S. aureus) em duas amostras separadas; 2) Evidência de envolvimento endocárdico demonstrado por ecocardiograma (vegetação, abscesso, nova deiscência de prótese valvar ou regurgitação valvar nova). A presença de dois critérios maiores, ou um maior e três menores, ou cinco menores, estabelece o diagnóstico definitivo de endocardite infecciosa.

Por que o ecocardiograma transesofágico é preferível neste caso?

Embora o ecocardiograma transtorácico (ETT) seja o teste inicial devido à sua natureza não invasiva, o ecocardiograma transesofágico (ETE) possui sensibilidade muito superior (acima de 90%) para detectar vegetações pequenas (< 5mm), abscessos perivalvares e complicações em válvulas protéticas. Em uma paciente com febre prolongada, sopro mitral importante (3+/6+) e sinais sistêmicos, o ETE é fundamental para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do dano valvar que pode exigir intervenção cirúrgica.

Como coletar hemoculturas na suspeita de endocardite?

Devem ser coletadas pelo menos três amostras de hemocultura (cada amostra consistindo em um frasco aeróbio e um anaeróbio) de locais de punção venosa diferentes. A primeira e a última amostra devem ser separadas por pelo menos uma hora. É crucial que a coleta seja feita antes do início da antibioticoterapia empírica, pois a esterilização do sangue ocorre rapidamente após o início do tratamento, o que pode negativar as culturas e dificultar o ajuste terapêutico baseado no antibiograma.

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