CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Rapaz de 18 anos é atendido no prontoatendimento com mal-estar geral, artralgia e febre alta há 05 dias. Refere uso esporádico de cocaína endovenosa. Exame físico: Vigil e orientado. Presença de hemorragias conjuntivais. Mucosas descoradas. Pa: 100x50mmhg, fc: 108bpm, fr: 24ipm e tax: 38,5ºC. MBV abolido em base de pulmão esquerdo. Sopro sistólico pancardíaco (++/+6). Baço palpável a 2cm do rebordo costal esquerdo. Em relação ao quadro relatado, é CORRETO afirmar que:
A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção grave do endocárdio, geralmente das valvas cardíacas, com alta morbimortalidade. É particularmente prevalente em usuários de drogas intravenosas (UDVP), nos quais o Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum, frequentemente afetando a valva tricúspide. A apresentação clínica pode ser variada, mas febre, sopro cardíaco e fenômenos embólicos/imunológicos são clássicos. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações nas valvas cardíacas, que podem embolizar ou levar à destruição valvar. O diagnóstico é baseado nos critérios de Duke, que combinam achados clínicos, microbiológicos e ecocardiográficos. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco como UDVP. O tratamento da EI é prolongado e geralmente requer antibioticoterapia parenteral. A escolha empírica deve cobrir os patógenos mais prováveis, como Staphylococcus aureus. A combinação de oxacilina e gentamicina é uma opção comum. O ecocardiograma é essencial para confirmar o diagnóstico e monitorar a evolução. A cirurgia pode ser necessária em casos de insuficiência cardíaca, infecção não controlada ou embolia recorrente.
Os critérios maiores incluem hemoculturas positivas para microrganismos típicos e evidência de envolvimento endocárdico (ecocardiograma). Os menores incluem febre, fenômenos vasculares (embolia, hemorragias conjuntivais), fenômenos imunológicos (glomerulonefrite, nódulos de Osler) e fatores predisponentes.
Esta combinação oferece ampla cobertura para os principais patógenos da endocardite em usuários de drogas intravenosas, principalmente Staphylococcus aureus (sensível à meticilina), que é o mais comum, e também para estreptococos e enterococos.
As complicações incluem insuficiência cardíaca (devido à destruição valvar), fenômenos embólicos (AVC, embolia pulmonar, infarto esplênico/renal), abscessos (cerebrais, esplênicos) e insuficiência renal.
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