Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Mulher de 37 anos, com doença renal crônica, realiza há 1 ano hemodiálise, 3 vezes por semana. Há 10 dias apresenta tosse e dispneia. Há também episódios de febre de 38 a 39 C. A tomografia de tórax e mostrada abaixo. Para confirmar a principal hipótese diagnóstica é indicado:
Hemodiálise + Febre + Nódulos pulmonares cavitados → Suspeitar de Endocardite com Embolia Séptica.
Pacientes em hemodiálise apresentam alto risco de bacteremia por acessos vasculares; a tríade de febre, sintomas respiratórios e múltiplos nódulos periféricos na TC sugere fortemente embolia séptica pulmonar secundária à endocardite.
A endocardite infecciosa em pacientes com doença renal crônica (DRC) em hemodiálise é uma condição de alta morbimortalidade. O foco infeccioso inicial geralmente é o acesso vascular. Quando a endocardite acomete as câmaras direitas (valva tricúspide), fragmentos da vegetação infectada se soltam e são levados pela circulação pulmonar, causando a embolia séptica. Clinicamente, o paciente apresenta febre persistente e sintomas respiratórios agudos ou subagudos. O diagnóstico diferencial inclui pneumonia nosocomial e tuberculose, mas o padrão radiológico de nódulos cavitados periféricos em um paciente com acesso vascular deve sempre priorizar a investigação de endocardite. O tratamento exige antibioticoterapia prolongada e, frequentemente, a remoção do acesso vascular infectado, além de avaliação para possível intervenção cirúrgica valvar.
Pacientes em hemodiálise possuem múltiplos fatores de risco: o uso frequente de acessos vasculares (cateteres ou fístulas) que servem como porta de entrada para patógenos, a imunossupressão relativa da uremia e a manipulação frequente do sistema circulatório. O Staphylococcus aureus é o agente mais comum, frequentemente causando bacteremias persistentes que podem colonizar as valvas cardíacas, especialmente a tricúspide, levando a quadros de endocardite e embolização séptica para os pulmões.
Na tomografia computadorizada de tórax, a embolia séptica manifesta-se classicamente como múltiplos nódulos periféricos, de tamanhos variados, frequentemente com o 'sinal do vaso nutrindo' (um vaso sanguíneo que se dirige ao nódulo). Muitos desses nódulos sofrem escavação (cavitação) rapidamente devido à necrose isquêmica e infecciosa. Podem ocorrer também áreas de consolidação em cunha, sugerindo infartos pulmonares infectados.
O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Duke Modificados. Os critérios maiores incluem hemoculturas positivas para patógenos típicos em coletas separadas e evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma (vegetação, abscesso ou nova regurgitação valvar). Critérios menores incluem predisposição (como uso de cateter de diálise), febre, fenômenos vasculares (como embolia séptica pulmonar) e fenômenos imunológicos. A combinação de hemoculturas e ecocardiograma é o padrão-ouro inicial.
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