Endocardite e Embolia Séptica em Pacientes de Hemodiálise

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 37 anos, com doença renal crônica, realiza há 1 ano hemodiálise, 3 vezes por semana. Há 10 dias apresenta tosse e dispneia. Há também episódios de febre de 38 a 39 C. A tomografia de tórax e mostrada abaixo. Para confirmar a principal hipótese diagnóstica é indicado:

Alternativas

  1. A) Teste genético de fibrose cística.
  2. B) Lavado broncoalveolar com cultura de escarro.
  3. C) Teste rápido molecular para tuberculose.
  4. D) Dosagem de anticorpo anticitoplasma de neutrófilo.
  5. E) Hemocultura e ecocardiograma.

Pérola Clínica

Hemodiálise + Febre + Nódulos pulmonares cavitados → Suspeitar de Endocardite com Embolia Séptica.

Resumo-Chave

Pacientes em hemodiálise apresentam alto risco de bacteremia por acessos vasculares; a tríade de febre, sintomas respiratórios e múltiplos nódulos periféricos na TC sugere fortemente embolia séptica pulmonar secundária à endocardite.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa em pacientes com doença renal crônica (DRC) em hemodiálise é uma condição de alta morbimortalidade. O foco infeccioso inicial geralmente é o acesso vascular. Quando a endocardite acomete as câmaras direitas (valva tricúspide), fragmentos da vegetação infectada se soltam e são levados pela circulação pulmonar, causando a embolia séptica. Clinicamente, o paciente apresenta febre persistente e sintomas respiratórios agudos ou subagudos. O diagnóstico diferencial inclui pneumonia nosocomial e tuberculose, mas o padrão radiológico de nódulos cavitados periféricos em um paciente com acesso vascular deve sempre priorizar a investigação de endocardite. O tratamento exige antibioticoterapia prolongada e, frequentemente, a remoção do acesso vascular infectado, além de avaliação para possível intervenção cirúrgica valvar.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes em hemodiálise têm maior risco de endocardite?

Pacientes em hemodiálise possuem múltiplos fatores de risco: o uso frequente de acessos vasculares (cateteres ou fístulas) que servem como porta de entrada para patógenos, a imunossupressão relativa da uremia e a manipulação frequente do sistema circulatório. O Staphylococcus aureus é o agente mais comum, frequentemente causando bacteremias persistentes que podem colonizar as valvas cardíacas, especialmente a tricúspide, levando a quadros de endocardite e embolização séptica para os pulmões.

Quais são os achados típicos da embolia séptica na tomografia de tórax?

Na tomografia computadorizada de tórax, a embolia séptica manifesta-se classicamente como múltiplos nódulos periféricos, de tamanhos variados, frequentemente com o 'sinal do vaso nutrindo' (um vaso sanguíneo que se dirige ao nódulo). Muitos desses nódulos sofrem escavação (cavitação) rapidamente devido à necrose isquêmica e infecciosa. Podem ocorrer também áreas de consolidação em cunha, sugerindo infartos pulmonares infectados.

Como é feito o diagnóstico definitivo de endocardite infecciosa?

O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Duke Modificados. Os critérios maiores incluem hemoculturas positivas para patógenos típicos em coletas separadas e evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma (vegetação, abscesso ou nova regurgitação valvar). Critérios menores incluem predisposição (como uso de cateter de diálise), febre, fenômenos vasculares (como embolia séptica pulmonar) e fenômenos imunológicos. A combinação de hemoculturas e ecocardiograma é o padrão-ouro inicial.

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