HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
Mulher, 35 anos, com quadro de dispnéia, febre de 39ºC e mal-estar nos últimos 20 dias, dá entrada no PS com quadro de cefaléia e déficit motor de instalação súbita em hemicorpo esquerdo, seguido de crise epiléptica tônico-clônica generalizada de 05 minutos de duração. Ao exame, paciente hipocorada, confusa, anictérica, acianótica, febril, taquidispneica, com roncos difusos à ausculta pulmonar e sopro sistêmico rude em área mitral. PA: 090/060 mmHg, FC: 134 bpm, rítmica e saturação de O²: 92% em ar ambiente. Ao exame neurológico a paciente mostra-se sonolenta, desorientada, com hemiplegia à esquerda. A hipótese diagnóstica mais provável dentre as abaixo é:
Febre + sopro cardíaco + fenômenos embólicos/neurológicos → suspeitar de endocardite bacteriana. Complicação neurológica comum: embolia séptica.
A endocardite bacteriana deve ser fortemente suspeitada em pacientes com febre prolongada, sopro cardíaco novo ou alterado, e manifestações embólicas ou neurológicas súbitas, como déficit motor e crise epiléptica. A embolia séptica para o SNC, incluindo a formação e rotura de aneurismas micóticos, é uma complicação grave.
A endocardite bacteriana é uma infecção grave do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas, que pode ter um curso subagudo ou agudo. É crucial para residentes reconhecer sua apresentação variada, que pode incluir febre, sopros cardíacos, e uma série de fenômenos embólicos e imunológicos. A epidemiologia mostra que pacientes com valvopatias preexistentes, próteses valvares e usuários de drogas intravenosas estão em maior risco. O diagnóstico da endocardite é baseado nos Critérios de Duke, que combinam achados clínicos, microbiológicos e ecocardiográficos. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações sépticas nas valvas, que podem se desprender e causar embolia para diversos órgãos. As manifestações neurológicas são particularmente graves, ocorrendo em até 40% dos casos e incluindo acidente vascular cerebral isquêmico, hemorrágico (por rotura de aneurismas micóticos), abcessos cerebrais e crises epilépticas. O tratamento da endocardite é complexo, envolvendo antibioticoterapia prolongada e, em muitos casos, intervenção cirúrgica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, bem como da presença de complicações. A suspeita de endocardite deve ser alta em pacientes com febre de origem indeterminada, sopro cardíaco e qualquer evento embólico ou neurológico súbito, exigindo investigação imediata com hemoculturas e ecocardiograma.
Sinais de alerta incluem febre prolongada, sopro cardíaco novo ou alterado, fenômenos embólicos (como déficit neurológico súbito, petéquias), fenômenos imunológicos (nódulos de Osler, manchas de Roth) e evidência de infecção em sítios incomuns.
A endocardite pode causar sintomas neurológicos principalmente por embolia séptica de vegetações para o sistema nervoso central, resultando em AVC isquêmico, hemorrágico (por rotura de aneurisma micótico), abcessos cerebrais ou crises epilépticas.
Um aneurisma micótico é uma dilatação arterial causada por infecção bacteriana da parede do vaso, frequentemente resultante de embolia séptica de vegetações de endocardite. Sua rotura pode levar a hemorragia intracraniana grave.
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