Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025
Paciente 45 anos, portador de marcapasso, refere que apresenta história de febre reumática na infância, informa que nos últimos dias iniciou febre persistente e fadiga, foi então trazido ao pronto atendimento onde foi recebido com o seguinte exame clinico: EC: 140 bpm, FR: 17irpm. PA :100×55 mg, Escala de Coma de Glasgow 14. Após medidas iniciais foi iniciado terapia antimicrobiana. Posteriormente hemoculturas mostraram crescimento de Staphylococcus aureus em três amostras. Sobre o manejo do paciente, a resposta CORRETA seria:
Endocardite em marcapasso por S. aureus = Retirada do dispositivo + ATB prolongado.
A infecção de corrente sanguínea por Staphylococcus aureus em paciente com marcapasso, especialmente com febre persistente e sinais de sepse, sugere fortemente endocardite associada a dispositivo. Nesses casos, a retirada do marcapasso é crucial para erradicar a infecção, além da antibioticoterapia prolongada.
A endocardite infecciosa associada a dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI), como marcapassos, é uma complicação grave com alta morbimortalidade. O Staphylococcus aureus é um dos patógenos mais comuns e agressivos nesses casos, frequentemente resultando em infecções persistentes e de difícil erradicação. Pacientes com histórico de febre reumática podem ter válvulas cardíacas previamente danificadas, o que os torna mais suscetíveis à colonização e infecção. A apresentação clínica geralmente inclui febre persistente, fadiga e sinais de sepse, como taquicardia e hipotensão. A identificação de Staphylococcus aureus em múltiplas hemoculturas em um paciente com marcapasso e febre é um forte indicativo de endocardite associada ao dispositivo, mesmo que o ecocardiograma transtorácico inicial possa não demonstrar vegetações (o ecocardiograma transesofágico é mais sensível). O manejo dessa condição é complexo e, na maioria dos casos de infecção por Staphylococcus aureus, a retirada completa do marcapasso e seus eletrodos é imperativa. Isso se deve à capacidade do S. aureus de formar biofilmes nos componentes do dispositivo, que protegem as bactérias dos antibióticos e do sistema imune do hospedeiro, tornando a terapia antimicrobiana isolada ineficaz. A remoção do dispositivo, seguida de antibioticoterapia prolongada (geralmente 4-6 semanas), é a estratégia com maior chance de sucesso na erradicação da infecção e prevenção de recorrências.
Suspeita-se em pacientes com marcapasso que apresentam febre persistente, bacteremia (especialmente por S. aureus), sinais de embolia ou vegetações no ecocardiograma, ou disfunção do dispositivo, exigindo investigação aprofundada.
O Staphylococcus aureus é uma bactéria virulenta que forma biofilmes nos eletrodos do marcapasso, tornando a erradicação apenas com antibióticos extremamente difícil e resultando em altas taxas de falha terapêutica e recorrência da infecção.
A antibioticoterapia é prolongada, geralmente por 4 a 6 semanas após a remoção completa do dispositivo e a obtenção de hemoculturas negativas, para garantir a erradicação da infecção residual e prevenir recidivas.
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