UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menino, 9a, é trazido ao ambulatório de pediatria com queixa de diarreia. Mãe refere que há um ano o paciente apresenta evacuações nas roupas íntimas, 4 a 5 vezes por dia e, por vezes, no período noturno. Evacua sempre fezes escuras na cueca, quase pretas, mucoides, não formadas, de odor fétido e que impregnam as roupas da criança de maneira indelével. Não apresenta sangue ou restos alimentares nas fezes, nega emagrecimento, febre ou relação com a ingesta de alimentos associados ao quadro. Refere bom aproveitamento escolar, porém várias vezes precisa se ausentar para higiene. Exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, eupneico; peso, estatura e desenvolvimento puberal adequados para a idade; abdome plano, indolor, fígado, baço e massas não palpáveis.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Encoprese funcional: soiling + constipação crônica, frequentemente por impactação fecal com diarreia por transbordamento.
A encoprese funcional é caracterizada pela eliminação involuntária de fezes em locais inadequados, geralmente associada à constipação crônica e impactação fecal. A "diarreia" descrita é, na verdade, o extravasamento de fezes líquidas ao redor de um fecaloma, conhecido como diarreia paradoxal ou por transbordamento.
A encoprese funcional é um distúrbio comum na infância, caracterizado pela eliminação involuntária de fezes em locais inadequados após os 4 anos de idade, na ausência de causas orgânicas. Afeta significativamente a qualidade de vida da criança e da família, sendo crucial para residentes e estudantes de medicina compreenderem sua apresentação e manejo. A prevalência varia, mas é uma das causas mais frequentes de encaminhamento a gastroenterologistas pediátricos. A fisiopatologia da encoprese funcional está intrinsecamente ligada à constipação crônica. A retenção fecal prolongada leva à dilatação do reto e cólon, diminuindo a sensibilidade à distensão e resultando em impactação fecal. As fezes líquidas podem então extravasar ao redor do fecaloma, causando o "soiling" ou diarreia por transbordamento, que é frequentemente confundida com diarreia verdadeira. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, e a exclusão de causas orgânicas é fundamental. O tratamento da encoprese funcional é multifacetado e exige paciência. Inicia-se com a desimpactação fecal, geralmente com altas doses de laxantes osmóticos. Em seguida, um regime de manutenção com laxantes, aumento da ingestão de fibras e líquidos, e um programa de treinamento intestinal (sentar no vaso sanitário após as refeições) são essenciais. O suporte psicossocial é importante, pois a condição pode gerar vergonha e isolamento na criança.
A encoprese funcional se manifesta por evacuações involuntárias de fezes nas roupas íntimas (soiling), geralmente associadas a constipação crônica, dor abdominal e, por vezes, diarreia por transbordamento.
A diarreia por transbordamento ocorre em crianças com história de constipação crônica e impactação fecal, onde fezes líquidas extravasam ao redor de um fecaloma. Diferencia-se pela ausência de febre, sangue nas fezes ou perda de peso.
O tratamento inicial envolve a desimpactação fecal, seguida por um regime de manutenção com laxantes osmóticos, modificações dietéticas (aumento de fibras e líquidos) e treinamento intestinal regular.
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