Encefalopatia de Wernicke: Diagnóstico e Sinais Chave

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 55 anos, apresenta mudança comportamental há 3 dias, caracterizada por desorientação no tempo e no espaço, diplopia, marcha atáxica, confusão mental, agitação e nistagmo bilateral. O quadro clínico sugere fortemente um quadro de encefalopatia associada

Alternativas

  1. A) ao uso de cocaína.
  2. B) à hipertensão arterial sistêmica e infartos lacunares.
  3. C) à doença de Parkinson.
  4. D) ao alcoolismo.
  5. E) à esclerose lateral amiotrófica.

Pérola Clínica

Desorientação, diplopia, ataxia e nistagmo em alcoólatra → Encefalopatia de Wernicke (deficiência de tiamina).

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito (desorientação, diplopia, marcha atáxica, confusão mental, agitação e nistagmo) é clássico da Encefalopatia de Wernicke, uma emergência neurológica causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1), comum em pacientes com alcoolismo crônico.

Contexto Educacional

A Encefalopatia de Wernicke é uma condição neurológica aguda e potencialmente fatal, resultante da deficiência de tiamina (vitamina B1). Embora classicamente associada ao alcoolismo crônico devido à má nutrição e absorção deficiente, pode ocorrer em outras condições que levam à deficiência de tiamina, como desnutrição grave, hiperemese gravídica e cirurgia bariátrica. O reconhecimento precoce é vital, pois o tratamento pode reverter os sintomas e prevenir sequelas permanentes. O quadro clínico típico da Encefalopatia de Wernicke é a tríade de confusão mental (desorientação, letargia, agitação), ataxia (marcha atáxica, dismetria) e oftalmoplegia (nistagmo, paralisia dos músculos extraoculares, diplopia). A presença de dois desses três sinais, especialmente em um paciente de risco, deve levantar forte suspeita. A fisiopatologia envolve a disfunção de áreas cerebrais que dependem da tiamina como cofator enzimático, como os corpos mamilares, tálamo e tronco cerebral. O tratamento consiste na administração imediata de tiamina intravenosa, antes da infusão de glicose, para evitar a precipitação ou piora da encefalopatia. A não intervenção ou o atraso no tratamento pode levar à progressão para a Síndrome de Korsakoff, uma condição crônica e irreversível caracterizada por amnésia grave e confabulação. Portanto, a suspeita clínica e a pronta administração de tiamina são cruciais para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Encefalopatia de Wernicke?

Os sintomas clássicos incluem a tríade de confusão mental (desorientação, agitação), ataxia (marcha atáxica) e oftalmoplegia (nistagmo, diplopia, paralisia de nervos cranianos).

Qual a causa da Encefalopatia de Wernicke e como é tratada?

É causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1), frequentemente associada ao alcoolismo crônico. O tratamento consiste na administração intravenosa imediata de tiamina, antes da glicose, para prevenir a piora do quadro.

Qual a relação entre Encefalopatia de Wernicke e Síndrome de Korsakoff?

A Encefalopatia de Wernicke é a fase aguda da deficiência de tiamina. Se não tratada adequadamente, pode evoluir para a Síndrome de Korsakoff, caracterizada por amnésia anterógrada e retrógrada grave, confabulação e apatia, geralmente irreversível.

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