Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um paciente de trinta anos de idade, morador de área livre, com antecedente de etilismo, adentra o serviço de emergência apresentando quadro confusional, ataxia e movimentos oculares anormais (nistagmo). Com base nessa situação hipotética, o diagnóstico mais provável é o de
Etilista + confusão + ataxia + nistagmo → Encefalopatia de Wernicke (deficiência de tiamina).
A encefalopatia de Wernicke é uma emergência neurológica causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1), comum em etilistas crônicos. A tríade clássica inclui confusão mental, ataxia e oftalmoplegia (nistagmo é um sinal comum).
A encefalopatia de Wernicke é uma condição neuropsiquiátrica aguda e potencialmente reversível, causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1). É mais frequentemente associada ao etilismo crônico, mas pode ocorrer em outras condições que levam à má nutrição, como hiperemese gravídica, cirurgia bariátrica e neoplasias. Sua importância reside na alta morbidade e mortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a deficiência de tiamina, um cofator essencial para enzimas envolvidas no metabolismo de carboidratos no cérebro. A falta de tiamina compromete a produção de energia neuronal, levando a disfunção e lesão em áreas cerebrais específicas, como corpos mamilares, tálamo e tronco cerebral. A tríade clássica de sintomas é confusão mental, ataxia e oftalmoplegia (incluindo nistagmo). O diagnóstico é clínico, baseado na suspeita em pacientes de risco com os sintomas característicos. O tratamento é uma emergência médica e consiste na administração imediata de tiamina intravenosa, antes da administração de glicose, para evitar a piora do quadro. A reposição adequada pode reverter os sintomas agudos, mas a recuperação completa da ataxia e da oftalmoplegia pode levar semanas ou meses. Se não tratada, a encefalopatia de Wernicke pode progredir para a síndrome de Korsakoff, uma condição crônica e irreversível de amnésia e confabulação.
Os principais sintomas formam a tríade clássica: confusão mental (estado confusional agudo), ataxia (dificuldade de coordenação motora) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares, manifestando-se como nistagmo ou paralisia do olhar).
O etilismo crônico leva à deficiência de tiamina (vitamina B1) devido à ingestão inadequada, má absorção gastrointestinal e aumento do catabolismo da vitamina, que é essencial para o metabolismo energético cerebral.
A conduta inicial é a administração imediata de tiamina intravenosa (IV), antes da glicose, para repor a vitamina e prevenir danos neurológicos irreversíveis.
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