USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher de 38 anos de idade foi trazida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) onde você é o médico de plantão. O acompanhante refere que a mesma foi submetida a cirurgia bariátrica (não sabe qual a técnica operatória realizada) há 36 dias. Vem evoluindo com vômitos de repetição e precisou ser levada diversas vezes na mesma UPA para receber hidratação endovenosa. Na última semana apresentou fraqueza, parestesias nos pés e dores musculares. Há dois dias começou a reclamar que a visão estava ficando turva (SIC) e como acordou confusa no dia de hoje, o acompanhante a trouxe. Ao exame físico, apresentava-se estável hemodinamicamente e com índice de 14 na Escala de Coma de Glasgow. Qual das alternativas abaixo está CORRETA, com relação ao quadro da paciente?
Vômitos persistentes pós-bariátrica → deficiência de tiamina → Encefalopatia de Wernicke.
Vômitos de repetição após cirurgia bariátrica, independentemente da técnica, levam à má absorção e deficiência de tiamina (vitamina B1), que pode causar Encefalopatia de Wernicke, uma emergência neurológica.
A cirurgia bariátrica, embora eficaz para o tratamento da obesidade mórbida, pode levar a complicações nutricionais significativas. Entre elas, a deficiência de tiamina (vitamina B1) é uma das mais graves, especialmente em pacientes com vômitos persistentes no pós-operatório. Esta deficiência pode culminar na Encefalopatia de Wernicke, uma emergência neurológica que, se não tratada prontamente, pode resultar em danos cerebrais irreversíveis ou morte. A fisiopatologia da Encefalopatia de Wernicke pós-bariátrica está diretamente ligada à ingestão inadequada, má absorção e perdas aumentadas de tiamina devido aos vômitos. A tiamina é essencial para o metabolismo da glicose no cérebro; sua deficiência compromete a produção de energia neuronal. Os sintomas clássicos incluem a tríade de confusão mental, ataxia e oftalmoplegia, mas a apresentação pode ser atípica, com apenas um ou dois sintomas, ou manifestações mais sutis como fraqueza, parestesias e alterações visuais. O diagnóstico é clínico, e a suspeita deve ser alta em qualquer paciente bariátrico com sintomas neurológicos. O tratamento é a administração imediata e empírica de tiamina intravenosa em altas doses, antes mesmo da confirmação laboratorial da deficiência, devido ao risco de progressão rápida e irreversibilidade. A reposição de fluidos e eletrólitos também é importante. O prognóstico melhora significativamente com o tratamento precoce, mas atrasos podem levar à Síndrome de Korsakoff (amnésia anterógrada e retrógrada) ou sequelas neurológicas permanentes. A prevenção envolve suplementação adequada de vitaminas e monitoramento rigoroso no pós-operatório.
A tríade clássica inclui confusão mental, ataxia (dificuldade de coordenação) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares), mas nem sempre todos estão presentes.
A cirurgia bariátrica, especialmente com vômitos persistentes, leva à redução da ingestão, má absorção e aumento das perdas de tiamina, uma vitamina hidrossolúvel com pouca reserva corporal.
A administração imediata de tiamina intravenosa é crucial, mesmo antes da confirmação diagnóstica, para prevenir danos neurológicos irreversíveis e a progressão para Síndrome de Korsakoff.
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