UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020
Paciente de 27 anos, etilista pesado há cinco anos, foi levado por transeuntes ao pronto atendimento com perda de consciência e relato de convulsões. O plantonista avalia que a via aérea está pérvia, o paciente respira de forma ruidosa, com pulsos cheios e enchimento capilar menor que dois segundos, saturando 92% de oxigênio ao ar ambiente. A escala de coma de Glasgow é 9. Nesse caso, a conduta mais indicada é:
Etilista com alteração de consciência/convulsão → administrar tiamina ANTES da glicose para prevenir encefalopatia de Wernicke.
Em pacientes etilistas com alteração do nível de consciência ou convulsões, a administração de tiamina é crucial antes da glicose para prevenir ou tratar a encefalopatia de Wernicke, uma complicação grave da deficiência de tiamina comum nesses pacientes.
Pacientes etilistas crônicos são frequentemente desnutridos e apresentam deficiência de tiamina (vitamina B1), essencial para o metabolismo energético cerebral. Em situações de estresse metabólico, como convulsões ou alteração do nível de consciência, essa deficiência pode levar à encefalopatia de Wernicke, uma condição neurológica grave e potencialmente irreversível. A encefalopatia de Wernicke manifesta-se com confusão mental, ataxia e oftalmoplegia. O diagnóstico é clínico e a suspeita deve ser alta em qualquer paciente etilista com esses sintomas. A administração de glicose sem tiamina pode precipitar ou agravar a encefalopatia, pois a glicose aumenta a demanda metabólica por tiamina. A conduta inicial em etilistas com alteração de consciência ou convulsões deve incluir a administração imediata de tiamina intravenosa (100 mg), seguida pela glicose. Essa sequência é vital para proteger o sistema nervoso central. Outras medidas incluem o manejo da via aérea, suporte ventilatório e controle das convulsões com benzodiazepínicos, se necessário.
A encefalopatia de Wernicke é caracterizada pela tríade clássica de confusão mental, ataxia e oftalmoplegia, embora nem todos os três sintomas estejam sempre presentes.
A tiamina é um cofator essencial no metabolismo da glicose. Em pacientes etilistas crônicos, a deficiência de tiamina é comum, e a administração de glicose sem tiamina pode esgotar as reservas restantes, precipitando ou piorando a encefalopatia de Wernicke.
A dose inicial recomendada de tiamina em situações de emergência para pacientes com suspeita de deficiência é de 100 mg intravenosa, administrada lentamente, seguida por doses subsequentes conforme a necessidade clínica.
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