UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Recém-Nascido (RN) com 1 semana de vida, nasceu a termo, de parto vaginal, com peso adequado, Apgar 2 no primeiro minuto e 5 no décimo minuto, necessitando de ventilação mecânica. Apresentou convulsões com 8 horas de vida e manteve-se sem diurese por mais de 24 horas. Permanece hipotônico, não responsivo e em ventilação assistida. Uma das principais causas para o quadro apresentado pelo RN é:
Apgar baixo + Convulsões precoces + Anúria = Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) por asfixia perinatal.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica que causa hipóxia fetal aguda grave, resultando em encefalopatia multissistêmica com manifestações neurológicas e renais precoces no recém-nascido.
A Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) é uma das principais causas de paralisia cerebral e déficit cognitivo em crianças. O quadro clínico clássico envolve um evento sentinela (como DPP, ruptura uterina ou prolapso de cordão) que leva a uma queda drástica na oferta de oxigênio cerebral. A evolução em fases (lesão primária e lesão de reperfusão) dita a janela de oportunidade para tratamento. A presença de anúria e convulsões nas primeiras horas de vida sinaliza a gravidade do insulto. A falência renal é comum devido à redistribuição do débito cardíaco (reflexo de mergulho), que tenta preservar o fluxo cerebral e miocárdico às custas da perfusão renal e mesentérica. O diagnóstico diferencial com infecções congênitas (como sífilis) ou malformações é importante, mas a história de Apgar baixo e evento agudo favorece fortemente a etiologia asfíxica.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) interrompe abruptamente a troca gasosa e o fluxo sanguíneo entre a mãe e o feto. Isso leva a uma hipóxia sistêmica grave e acidose metabólica. O cérebro neonatal, altamente sensível à falta de oxigênio, desenvolve Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI), manifestada por hipotonia, depressão do nível de consciência (não responsividade) e convulsões precoces (nas primeiras horas de vida). Além do sistema nervoso central, a hipóxia causa o 'desvio de fluxo' para órgãos nobres, mas se for prolongada, lesiona os rins, resultando em necrose tubular aguda ou necrose cortical, o que explica a anúria por mais de 24 horas observada no caso.
A asfixia perinatal é definida por um conjunto de achados que indicam insulto hipóxico-isquêmico grave. Os critérios da Academia Americana de Pediatria incluem: 1) Acidose metabólica ou mista profunda (pH < 7,00) em sangue de cordão umbilical; 2) Escore de Apgar de 0-3 por mais de 5 minutos; 3) Manifestações neurológicas precoces, como convulsões, hipotonia ou coma (Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica); e 4) Evidência de disfunção multiorgânica (renal, cardiovascular, gastrointestinal, hematológica ou pulmonar). O caso clínico apresenta quase todos esses elementos, apontando para um evento intraparto catastrófico como o DPP.
O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e respiratória, mas a intervenção padrão-ouro para reduzir a sequela neurológica é a Hipotermia Terapêutica. Ela deve ser iniciada nas primeiras 6 horas de vida em RNs com idade gestacional ≥ 35 semanas que preencham critérios de asfixia moderada a grave. O objetivo é manter a temperatura corporal central entre 33°C e 34°C por 72 horas. Além disso, é fundamental o controle rigoroso de distúrbios metabólicos (glicemia, cálcio), manejo de convulsões com fenobarbital e monitorização da função renal devido ao alto risco de insuficiência renal aguda pós-asfixia.
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