Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2022
A asfixia perinatal é a principal causa da encefalopatia hipóxico-isquêmica. Estima-se que exista de 2 a 4 recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica para cada mil nascidos vivos a termo, sendo que a taxa de mortalidade nesses RNs varia de 15 a 25%. Diante do exposto, qual alternativa está mais correta?
Hipotermia terapêutica EHI = resfriamento cerebral seletivo OU corporal total, iniciar < 6h de vida.
A hipotermia terapêutica é a principal estratégia neuroprotetora para recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave. Existem duas modalidades principais: o resfriamento seletivo da cabeça (com capacete) e o resfriamento corporal total (com colchão térmico), ambas com o objetivo de reduzir a temperatura corporal para 33-34°C por 72 horas.
A asfixia perinatal é uma condição devastadora que pode levar à encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI), uma das principais causas de morbidade e mortalidade neurológica em recém-nascidos a termo. A EHI resulta de um insulto hipóxico-isquêmico que desencadeia uma cascata de eventos celulares e moleculares, culminando em morte neuronal. A identificação precoce e a intervenção são cruciais para mitigar os danos cerebrais. A hipotermia terapêutica é a única intervenção com eficácia comprovada na neuroproteção de recém-nascidos com EHI moderada a grave. Ela atua desacelerando o metabolismo cerebral, reduzindo a demanda de oxigênio e energia, inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios e modulando a resposta inflamatória e apoptótica. Existem duas modalidades principais: o resfriamento corporal total, onde o corpo inteiro é resfriado, e o resfriamento seletivo da cabeça, que visa resfriar predominantemente o cérebro. Ambas são eficazes, mas o resfriamento corporal total é mais amplamente utilizado. Para residentes, é vital conhecer os critérios de elegibilidade para a hipotermia terapêutica (idade gestacional, evidências de asfixia e sinais de EHI), a janela de tempo para início (idealmente nas primeiras 6 horas de vida), a temperatura alvo (33-34°C) e a duração (72 horas), bem como o manejo das complicações potenciais. O manejo adequado da EHI com hipotermia terapêutica pode melhorar significativamente os desfechos neurológicos a longo prazo, sendo um pilar fundamental da neonatologia moderna.
Os critérios incluem idade gestacional ≥ 35 semanas, evidência de asfixia perinatal (ex: Apgar ≤ 5 no 10º minuto, pH < 7,0 ou déficit de base ≥ 16 mmol/L na primeira hora de vida) e sinais de encefalopatia moderada a grave.
A temperatura alvo é de 33,5°C para hipotermia corporal total ou 34,5°C para resfriamento seletivo da cabeça, mantida por 72 horas, seguida por um reaquecimento lento.
Os efeitos adversos podem incluir bradicardia, hipotensão, trombocitopenia, coagulopatia, hipoglicemia, distúrbios eletrolíticos e maior risco de infecção, exigindo monitorização rigorosa.
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