Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica: Diagnóstico e Convulsões

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Recém nascido de parto cesário por doença hipertensiva própria da gravidez, sexo masculino, a termo, pesando 2490g. 47 cm. Apgar 1`2, 5`5. inicia convulsão com movimentos clônicos de membros superiores e desvio conjugado de olhos com 10 minutos de vida. quanto a provável causa da convulsão:

Alternativas

  1. A) Hipoglicemia;
  2. B) Hipocalcemia;
  3. C) Encefalopatia hipóxico-isquêmica;
  4. D) Hiponatrernia;
  5. E) Deficiência de piridoxina;

Pérola Clínica

RN com Apgar baixo e convulsão precoce → alta suspeita de Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica.

Resumo-Chave

A encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) é uma das principais causas de convulsões neonatais, especialmente em recém-nascidos com história de asfixia perinatal, evidenciada por Apgar baixo e necessidade de reanimação. O início precoce das convulsões, como nos primeiros minutos ou horas de vida, reforça a suspeita de EHI.

Contexto Educacional

A encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) é uma condição neurológica grave que afeta recém-nascidos, resultante de privação de oxigênio e fluxo sanguíneo cerebral durante o período perinatal. É uma das principais causas de mortalidade e morbidade neurológica em neonatos, com incidência variando de 1 a 6 por 1000 nascidos vivos a termo. A identificação precoce de fatores de risco, como doença hipertensiva materna, e sinais clínicos, como Apgar baixo e convulsões precoces, é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia da EHI envolve uma cascata de eventos celulares e moleculares que levam à morte neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na história de asfixia perinatal e nos achados do exame neurológico. Exames complementares como gasometria de cordão, ressonância magnética cerebral e eletroencefalograma são essenciais para confirmar o diagnóstico e estadiar a gravidade. A suspeita deve ser alta em qualquer neonato com depressão ao nascer e sinais neurológicos progressivos. O tratamento da EHI visa minimizar a lesão cerebral secundária. A hipotermia terapêutica é a principal intervenção neuroprotetora, devendo ser iniciada o mais rápido possível (idealmente nas primeiras 6 horas de vida) em casos moderados a graves. O manejo inclui também suporte respiratório, controle da pressão arterial, glicemia, eletrólitos e tratamento das convulsões. O prognóstico varia conforme a gravidade da EHI, sendo a perda auditiva, paralisia cerebral e deficiência cognitiva sequelas comuns.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de encefalopatia hipóxico-isquêmica em neonatos?

Os principais sinais incluem Apgar baixo ao nascimento, necessidade de reanimação, hipotonia, letargia, reflexos primitivos diminuídos ou ausentes e, frequentemente, convulsões que podem iniciar nas primeiras horas de vida.

Por que a doença hipertensiva da gravidez pode levar à encefalopatia hipóxico-isquêmica?

A doença hipertensiva da gravidez, como a pré-eclâmpsia, pode causar insuficiência placentária, resultando em restrição de crescimento intrauterino e comprometimento do fluxo sanguíneo fetal, aumentando o risco de asfixia perinatal e, consequentemente, EHI.

Qual a conduta inicial para um recém-nascido com suspeita de encefalopatia hipóxico-isquêmica e convulsões?

A conduta inicial envolve estabilização do neonato, controle das convulsões com anticonvulsivantes (ex: fenobarbital) e avaliação para terapia de hipotermia terapêutica, que é neuroprotetora se iniciada nas primeiras 6 horas de vida.

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