Encefalopatia Hipertensiva: Diagnóstico e Manejo Urgente

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 50 anos, hipertenso com tratamento irregular, chega na sala de urgência com intensa cefaleia, PA = 240 x 160 mmHg, exame neurológico sem sinais localizatórios. Enquanto aguarda exames apresenta confusão mental seguida de crise convulsiva generalizada tônico-clônica. Após uma hora paciente está vigil, exame neurológico normal. O resultado da tomografia computadorizada de crânio é normal, assim como exames séricos de rotina. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) hemorragia subaracnoideia.
  2. B) hemorragia intraparenquimatosa.
  3. C) infarto bulbar.
  4. D) hemorragia intraparenquimatosa que rompeu para ventrículo.
  5. E) encefalopatia hipertensiva.

Pérola Clínica

Hipertensão grave + sintomas neurológicos agudos (cefaleia, confusão, convulsão) + TC normal = Encefalopatia Hipertensiva.

Resumo-Chave

A encefalopatia hipertensiva é uma emergência hipertensiva caracterizada por disfunção cerebral aguda devido à falha da autorregulação cerebrovascular frente a elevações extremas da PA. Manifesta-se com cefaleia, alteração do nível de consciência, convulsões e, tipicamente, uma TC de crânio inicialmente normal, diferenciando-a de AVC hemorrágico ou isquêmico.

Contexto Educacional

A encefalopatia hipertensiva é uma emergência médica caracterizada por uma elevação aguda e grave da pressão arterial, geralmente acima de 180/120 mmHg, que excede os limites da autorregulação cerebral. Isso leva a uma disfunção da barreira hematoencefálica, com extravasamento de plasma e formação de edema cerebral vasogênico, resultando em sintomas neurológicos agudos. É crucial diferenciá-la de outras emergências neurológicas. Os sintomas clássicos incluem cefaleia intensa, náuseas, vômitos, alterações visuais, confusão mental, déficits neurológicos focais transitórios e, em casos mais graves, convulsões e coma. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipertensão grave e sintomas neurológicos agudos, e de exclusão, após descartar outras causas como AVC hemorrágico ou isquêmico. A tomografia computadorizada de crânio é frequentemente normal nas fases iniciais, ou pode mostrar edema cerebral difuso ou posterior reversível (PRES). O tratamento consiste na redução controlada da pressão arterial, visando diminuir a PA média em 20-25% na primeira hora, utilizando anti-hipertensivos intravenosos de ação rápida e titulável, como nitroprussiato de sódio, labetalol ou nicardipino. A redução gradual é fundamental para evitar hipoperfusão cerebral. O prognóstico é geralmente bom com tratamento rápido e adequado, com reversão completa dos sintomas neurológicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da encefalopatia hipertensiva?

Os principais sintomas incluem cefaleia intensa, náuseas, vômitos, alterações visuais, confusão mental, déficits neurológicos focais transitórios e, em casos graves, convulsões e coma, todos associados a uma elevação aguda e grave da pressão arterial.

Como diferenciar encefalopatia hipertensiva de um acidente vascular cerebral?

A encefalopatia hipertensiva se diferencia do AVC pela reversibilidade dos sintomas neurológicos com a redução da PA e, frequentemente, por uma tomografia de crânio inicialmente normal ou com edema vasogênico, sem evidência de hemorragia ou infarto agudo.

Qual o papel da tomografia de crânio no diagnóstico da encefalopatia hipertensiva?

A tomografia de crânio é crucial para excluir outras causas de sintomas neurológicos, como hemorragia intracraniana ou infarto. Na encefalopatia hipertensiva, a TC pode ser normal ou mostrar edema cerebral difuso, especialmente nas regiões posteriores (Síndrome de Encefalopatia Posterior Reversível - PRES).

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