Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2023
Considerando-se que a pressão arterial (PA) é o resultado do produto entre débito cardíaco e resistência vascular periférica, elevações agudas da PA decorrentes de variações destes fatores resultam em crises hipertensivas. Em relação às crises hipertensivas, assinale a alternativa correta:
Encefalopatia hipertensiva = elevação súbita/mantida da PA + sinais/sintomas de edema cerebral.
A encefalopatia hipertensiva é uma emergência hipertensiva grave, caracterizada por disfunção neurológica aguda (cefaleia, confusão, convulsões) devido a edema cerebral secundário à elevação súbita e/ou mantida da pressão arterial, que excede os limites da autorregulação cerebral e exige intervenção imediata.
As crises hipertensivas representam um espectro de condições clínicas caracterizadas por elevações acentuadas da pressão arterial (PA), que podem ou não estar associadas a lesão aguda de órgãos-alvo. É crucial para residentes e profissionais de saúde diferenciar entre urgências e emergências hipertensivas, pois o manejo e o prognóstico são distintos. A encefalopatia hipertensiva é uma das mais graves emergências, exigindo reconhecimento e tratamento imediatos. A fisiopatologia da encefalopatia hipertensiva envolve a falha da autorregulação cerebral, que normalmente protege o cérebro de flutuações da PA. Quando a PA excede um limite crítico, ocorre uma vasodilatação cerebral excessiva, levando ao aumento do fluxo sanguíneo, ruptura da barreira hematoencefálica e, consequentemente, edema cerebral vasogênico. O diagnóstico é clínico, baseado na elevação súbita da PA e nos sintomas neurológicos agudos, como cefaleia, confusão, convulsões e déficits focais. O tratamento da encefalopatia hipertensiva é uma emergência médica que exige a redução imediata e controlada da PA, geralmente com anti-hipertensivos intravenosos (ex: nitroprussiato de sódio, labetalol, nicardipino) em ambiente de terapia intensiva. O objetivo é reduzir a PA média em 10-25% na primeira hora para evitar danos cerebrais adicionais, mas sem hipotensão excessiva que possa comprometer a perfusão cerebral. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, mas sequelas neurológicas podem ocorrer.
A urgência hipertensiva é uma elevação acentuada da PA sem lesão aguda de órgão-alvo, permitindo redução gradual em 24-48h, geralmente com medicação oral. A emergência hipertensiva é uma elevação acentuada da PA com lesão aguda de órgão-alvo, exigindo redução imediata em horas, geralmente com medicação intravenosa em ambiente de terapia intensiva.
Os principais órgãos-alvo afetados nas emergências hipertensivas são o cérebro (encefalopatia, AVC isquêmico ou hemorrágico), coração (infarto agudo do miocárdio, edema pulmonar agudo, dissecção aórtica), rins (insuficiência renal aguda) e retina (retinopatia hipertensiva grave).
Os sintomas da encefalopatia hipertensiva incluem cefaleia intensa, náuseas, vômitos, alterações visuais (visão turva, diplopia), confusão mental, letargia, convulsões e, em casos graves, coma, refletindo o edema cerebral e a disfunção neurológica aguda.
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