Encefalopatia Hepática: Fatores Precipitantes e Manejo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 68 anos de idade, cirrótico Child B em consulta ambulatorial recente, apresenta-se na emergência com relato familiar de hiper sonolência diurna e alterações de memória recentes. Com relação aos sintomas referidos, assinale a opção incorreta.

Alternativas

  1. A) Deve-se obrigatoriamente pesquisar hemorragia digestória como fator precipitante da encefalopatia hepática.
  2. B) Transgressão dietética está frequentemente associada ao surgimento do quadro.
  3. C) A ausência de dor abdominal e febre praticamente exclui peritonite bacteriana espontânea (PBE) como fator desencadeante dos sintomas.
  4. D) A lactulose, o sulfato de neomicina, o metronidazol, e a L-ornitina L-aspartato sãoopções terapêuticas para tratamento do quadro em questão.
  5. E) Importa-nos a informação quanto ao uso de diuréticos para controle de desequilíbrio hidrópico neste paciente.

Pérola Clínica

PBE pode cursar sem dor/febre, especialmente em cirróticos com encefalopatia.

Resumo-Chave

A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose, e sua apresentação clínica pode ser atípica, especialmente em pacientes com encefalopatia hepática. A ausência de dor abdominal e febre não exclui PBE, sendo a paracentese diagnóstica essencial.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com disfunção hepática grave, como na cirrose. Caracteriza-se por um espectro de alterações cognitivas, comportamentais e motoras, desde alterações sutis até coma. A EH é uma complicação significativa da cirrose, impactando a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. A fisiopatologia envolve principalmente o acúmulo de substâncias neurotóxicas, como a amônia, devido à falha do fígado em metabolizá-las e à derivação do sangue portal para a circulação sistêmica. Fatores precipitantes são cruciais para o desenvolvimento ou piora da EH, e incluem hemorragia digestória, infecções (especialmente peritonite bacteriana espontânea - PBE), desidratação, constipação, uso de diuréticos e sedativos, e excesso de proteínas na dieta. A PBE, em particular, pode ter uma apresentação atípica, sem dor abdominal ou febre, manifestando-se apenas com a piora da encefalopatia, o que exige alta suspeição e paracentese diagnóstica. O tratamento da EH visa identificar e corrigir os fatores precipitantes, além de reduzir a produção e absorção de amônia. A lactulose é a pedra angular do tratamento, atuando como laxante osmótico e acidificando o cólon. Antibióticos como rifaximina ou metronidazol são usados para modular a flora intestinal. O manejo de diuréticos e a atenção à dieta também são importantes. O reconhecimento rápido e o tratamento eficaz são essenciais para reverter o quadro e prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores precipitantes da encefalopatia hepática em cirróticos?

Os fatores precipitantes incluem hemorragia digestória, infecções (como PBE), constipação, uso de diuréticos em excesso, desidratação, transgressão dietética (excesso proteico) e uso de sedativos.

Como diagnosticar PBE em um paciente cirrótico com encefalopatia?

O diagnóstico de PBE requer paracentese diagnóstica com contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico também deve ser realizada.

Quais são as opções terapêuticas para a encefalopatia hepática?

O tratamento inclui lactulose para reduzir a produção e absorção de amônia, antibióticos não absorvíveis como rifaximina ou metronidazol para modular a flora intestinal, e L-ornitina L-aspartato em alguns contextos.

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