UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente de 68 anos de idade, cirrótico Child B em consulta ambulatorial recente, apresenta-se na emergência com relato familiar de hiper sonolência diurna e alterações de memória recentes. Com relação aos sintomas referidos, assinale a opção incorreta.
PBE pode cursar sem dor/febre, especialmente em cirróticos com encefalopatia.
A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose, e sua apresentação clínica pode ser atípica, especialmente em pacientes com encefalopatia hepática. A ausência de dor abdominal e febre não exclui PBE, sendo a paracentese diagnóstica essencial.
A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com disfunção hepática grave, como na cirrose. Caracteriza-se por um espectro de alterações cognitivas, comportamentais e motoras, desde alterações sutis até coma. A EH é uma complicação significativa da cirrose, impactando a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. A fisiopatologia envolve principalmente o acúmulo de substâncias neurotóxicas, como a amônia, devido à falha do fígado em metabolizá-las e à derivação do sangue portal para a circulação sistêmica. Fatores precipitantes são cruciais para o desenvolvimento ou piora da EH, e incluem hemorragia digestória, infecções (especialmente peritonite bacteriana espontânea - PBE), desidratação, constipação, uso de diuréticos e sedativos, e excesso de proteínas na dieta. A PBE, em particular, pode ter uma apresentação atípica, sem dor abdominal ou febre, manifestando-se apenas com a piora da encefalopatia, o que exige alta suspeição e paracentese diagnóstica. O tratamento da EH visa identificar e corrigir os fatores precipitantes, além de reduzir a produção e absorção de amônia. A lactulose é a pedra angular do tratamento, atuando como laxante osmótico e acidificando o cólon. Antibióticos como rifaximina ou metronidazol são usados para modular a flora intestinal. O manejo de diuréticos e a atenção à dieta também são importantes. O reconhecimento rápido e o tratamento eficaz são essenciais para reverter o quadro e prevenir recorrências.
Os fatores precipitantes incluem hemorragia digestória, infecções (como PBE), constipação, uso de diuréticos em excesso, desidratação, transgressão dietética (excesso proteico) e uso de sedativos.
O diagnóstico de PBE requer paracentese diagnóstica com contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico também deve ser realizada.
O tratamento inclui lactulose para reduzir a produção e absorção de amônia, antibióticos não absorvíveis como rifaximina ou metronidazol para modular a flora intestinal, e L-ornitina L-aspartato em alguns contextos.
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