Encefalopatia Hepática: Fisiopatologia e Fatores Chave

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Em relação às complicações agudas da hepatopatia crônica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A peritonite bacteriana espontânea ocorre, com frequência, em cirróticos sem ascite, principalmente quando a etiologia for alcoólica.
  2. B) A vasodilatação venosa proposta para explicar a retenção de sal e água na cirrose é a hipótese mais aceita na etiopatogenia da síndrome hepatorrenal.
  3. C) O desvio de sangue porto-sistêmico, impedindo a passagem de várias substâncias nitrogenadas procedentes do intestino, constitui um dos fatores preponderantes na etiologia da encefalopatia hepática.
  4. D) Hemorragia digestiva alta varicosa pode ocorrer em qualquer segmento do tubo digestivo, predominando no fundo gástrico.
  5. E) Dentre os fatores predisponentes mais importantes da encefalopatia hepática destacam-se a hemorragia digestiva alta, peritonite bacteriana, constipação e acidose.

Pérola Clínica

Encefalopatia hepática → shunt portossistêmico + substâncias nitrogenadas intestinais (amônia) não metabolizadas.

Resumo-Chave

A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica da disfunção hepática grave. Sua fisiopatologia envolve a incapacidade do fígado de metabolizar toxinas, como a amônia, que são então desviadas para a circulação sistêmica através de shunts portossistêmicos, atingindo o cérebro e causando disfunção neurológica.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica grave da doença hepática crônica, caracterizada por um espectro de anormalidades neurológicas e psiquiátricas. Sua prevalência é alta em pacientes com cirrose avançada, sendo um marcador de descompensação e pior prognóstico. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e entenderem sua etiopatogenia para um manejo adequado. A fisiopatologia da encefalopatia hepática é multifatorial, mas o desvio de sangue portossistêmico e o acúmulo de substâncias nitrogenadas, principalmente amônia, são centrais. A amônia, produzida no intestino, não é adequadamente metabolizada pelo fígado doente e, via shunts, atinge o cérebro, onde causa disfunção astrocitária e edema. Fatores precipitantes como hemorragia digestiva, infecções e constipação aumentam a produção ou absorção dessas toxinas. O tratamento visa identificar e corrigir os fatores precipitantes, além de reduzir a produção e absorção de amônia. Lactulose e rifaximina são as terapias farmacológicas de primeira linha. O prognóstico está diretamente ligado à gravidade da disfunção hepática e à resposta ao tratamento dos fatores desencadeantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores precipitantes da encefalopatia hepática?

Os principais fatores precipitantes incluem hemorragia digestiva alta, infecções (como peritonite bacteriana espontânea), constipação, uso de sedativos/diuréticos e desidratação, que aumentam a carga de amônia.

Como o shunt portossistêmico contribui para a encefalopatia hepática?

O shunt portossistêmico desvia o sangue rico em toxinas nitrogenadas (como amônia) do intestino diretamente para a circulação sistêmica, sem passar pelo fígado para desintoxicação, permitindo que essas substâncias atinjam o cérebro.

Qual o papel da amônia na encefalopatia hepática?

A amônia é a principal neurotoxina envolvida na encefalopatia hepática. Ela é produzida pela microbiota intestinal e, quando não metabolizada pelo fígado, atravessa a barreira hematoencefálica, causando disfunção astrocitária e edema cerebral.

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