Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Em relação às complicações agudas da hepatopatia crônica, assinale a alternativa correta.
Encefalopatia hepática → shunt portossistêmico + substâncias nitrogenadas intestinais (amônia) não metabolizadas.
A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica da disfunção hepática grave. Sua fisiopatologia envolve a incapacidade do fígado de metabolizar toxinas, como a amônia, que são então desviadas para a circulação sistêmica através de shunts portossistêmicos, atingindo o cérebro e causando disfunção neurológica.
A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica grave da doença hepática crônica, caracterizada por um espectro de anormalidades neurológicas e psiquiátricas. Sua prevalência é alta em pacientes com cirrose avançada, sendo um marcador de descompensação e pior prognóstico. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e entenderem sua etiopatogenia para um manejo adequado. A fisiopatologia da encefalopatia hepática é multifatorial, mas o desvio de sangue portossistêmico e o acúmulo de substâncias nitrogenadas, principalmente amônia, são centrais. A amônia, produzida no intestino, não é adequadamente metabolizada pelo fígado doente e, via shunts, atinge o cérebro, onde causa disfunção astrocitária e edema. Fatores precipitantes como hemorragia digestiva, infecções e constipação aumentam a produção ou absorção dessas toxinas. O tratamento visa identificar e corrigir os fatores precipitantes, além de reduzir a produção e absorção de amônia. Lactulose e rifaximina são as terapias farmacológicas de primeira linha. O prognóstico está diretamente ligado à gravidade da disfunção hepática e à resposta ao tratamento dos fatores desencadeantes.
Os principais fatores precipitantes incluem hemorragia digestiva alta, infecções (como peritonite bacteriana espontânea), constipação, uso de sedativos/diuréticos e desidratação, que aumentam a carga de amônia.
O shunt portossistêmico desvia o sangue rico em toxinas nitrogenadas (como amônia) do intestino diretamente para a circulação sistêmica, sem passar pelo fígado para desintoxicação, permitindo que essas substâncias atinjam o cérebro.
A amônia é a principal neurotoxina envolvida na encefalopatia hepática. Ela é produzida pela microbiota intestinal e, quando não metabolizada pelo fígado, atravessa a barreira hematoencefálica, causando disfunção astrocitária e edema cerebral.
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