Encefalopatia Hepática: Fatores Desencadeantes em Cirróticos

HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 45 anos é levado ao pronto atendimento pelos familiares com o relato de ter apresentado um episódio de hematêmese. É portador de cirrose hepática e possui varizes de esôfago. Faz uso diário de furosemida, espironolactona, propranolol e clonazepam há 1 semana. Ao exame físico, apresenta-se letárgico, com fala arrastada, desorientado no tempo e no espaço; as mucosas estão coradas, ictéricas e hidratadas. Os dados vitais são PA: 120 X 70mmHg, FC: 61bpm, FR: 13ipm, SpO₂ em ar ambiente 98%. Apresenta aranhas vasculares no tronco. O exame neurológico revela força muscular simétrica e normal; há mioclonias nos membros superiores ao ficarem estendidos. O restante do exame físico não apresenta anormalidades. Exames de laboratório: hemoglobina 13,9g/dL; leucócitos 5.560/mm³; neutrófilos segmentados 4.310/mm³; plaquetas 102.000/mm³; proteína C reativa 3mg/L; creatinina 0,5mg/dL; ureia 12mg/dL; bilirrubina total 1,5mg/dL; bilirrubina direta 0,9mg/dL; bilirrubina indireta 0,6mg/dL; potássio 2,6mEq/L; sódio 131mEq/L. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta uma condição que NÃO deve ter desencadeado a encefalopatia nesse paciente.

Alternativas

  1. A) Hemorragia digestiva.
  2. B) Hipocalemia.
  3. C) Uso do clonazepam.
  4. D) Uso do propranolol.

Pérola Clínica

Encefalopatia hepática em cirrótico: Desencadeantes comuns incluem HD, hipocalemia, benzodiazepínicos. Propranolol NÃO desencadeia, mas pode mascarar sangramento.

Resumo-Chave

A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica da cirrose. Fatores como hemorragia digestiva, distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia) e uso de sedativos (benzodiazepínicos como clonazepam) podem precipitá-la. O propranolol, um betabloqueador, é usado para profilaxia de sangramento de varizes e não é um desencadeante direto da encefalopatia.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com disfunção hepática grave, como na cirrose. Ela se manifesta por um espectro de alterações cognitivas, motoras e de consciência, resultantes do acúmulo de substâncias neurotóxicas, principalmente amônia, que o fígado doente não consegue metabolizar adequadamente. O reconhecimento dos fatores desencadeantes é crucial para o manejo e prevenção. A fisiopatologia envolve a incapacidade do fígado de detoxificar produtos nitrogenados, como a amônia, que atravessam a barreira hematoencefálica e afetam a função cerebral. Fatores precipitantes aumentam a carga de amônia ou a sensibilidade cerebral a ela. A hemorragia digestiva, por exemplo, libera proteínas no intestino que são convertidas em amônia por bactérias. A hipocalemia, comum com o uso de diuréticos, promove a produção e reabsorção renal de amônia. Sedativos e benzodiazepínicos exacerbam a disfunção cerebral. O tratamento da encefalopatia hepática envolve a identificação e correção dos fatores desencadeantes, além de terapias específicas para reduzir a produção e absorção de amônia, como lactulose e rifaximina. O propranolol, por outro lado, é um betabloqueador não seletivo amplamente utilizado na cirrose para profilaxia primária e secundária de sangramento de varizes esofágicas, reduzindo a pressão portal. Ele não é um desencadeante da encefalopatia e, na verdade, faz parte do manejo padrão da cirrose.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que podem desencadear a encefalopatia hepática?

Os principais desencadeantes incluem hemorragia digestiva (aumento da carga nitrogenada), infecções (especialmente peritonite bacteriana espontânea), distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia), desidratação, constipação, uso de sedativos/benzodiazepínicos e shunts portossistêmicos.

Como a hipocalemia contribui para a encefalopatia hepática?

A hipocalemia, frequentemente induzida por diuréticos, aumenta a produção renal de amônia e sua reabsorção tubular, elevando os níveis de amônia sistêmica e precipitando ou agravando a encefalopatia hepática.

Por que o uso de benzodiazepínicos é contraindicado ou deve ser cauteloso em cirróticos?

Benzodiazepínicos, como o clonazepam, são metabolizados no fígado e podem se acumular em pacientes com cirrose, potencializando seus efeitos sedativos e depressores do SNC, o que pode agravar ou precipitar a encefalopatia hepática.

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