UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, de sessenta e oito anos de idade, com quadro de aumento do volume abdominal e edema de membros inferiores havia 1 semana, estava em seguimento com médico cirurgião para programação cirúrgica de correção de hérnia inguinal direita. Exame de hemograma solicitado pelo cirurgião evidenciou plaquetopenia e tempo de protombina alargado (54%). O paciente tinha antecedente de etilista diário de alto teor alcoólico por mais de 20 anos. Ele negou uso de drogas ilícitas. A ultrassonografia de abdome revelou cirrose hepática com hipertensão porta, esplenomegalia e ascite moderada. Procedeu-se a paracentese diagnóstica e de alívio associada a diuréticos. Contudo, 3 dias após esse procedimento, o paciente evoluiu com sonolência, flapping e lentificação verbal e motora. Considerando esse caso clínico, julgue o item a seguir. A ressonância magnética de crânio é um dos testes para diagnóstico de encefalopatia hepática nesse paciente.
Encefalopatia hepática é diagnóstico CLÍNICO; exames de imagem servem para excluir outros diagnósticos.
A Encefalopatia Hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica reversível em cirróticos. O diagnóstico é baseado na história clínica e exame físico (asterixe/flapping), não em achados de imagem.
A Encefalopatia Hepática (EH) representa uma das complicações mais debilitantes da cirrose, refletindo a falha do fígado em metabolizar substâncias neurotóxicas, como a amônia. O caso clínico ilustra um cenário clássico: um paciente cirrótico que, após um procedimento (paracentese/diuréticos), desenvolve alterações de consciência e flapping (asterixe). Esses achados são suficientes para o diagnóstico clínico de EH. É fundamental compreender que testes laboratoriais (como amônia sérica) e exames de imagem (TC ou RM) têm papel limitado. A amônia tem baixa correlação com o grau de encefalopatia, e a imagem serve primordialmente para excluir diagnósticos diferenciais como hematoma subdural, AVC ou abscessos, especialmente em pacientes com risco de quedas ou coagulopatia severa.
Não. Embora a RM possa mostrar hipersinal em T1 nos gânglios da base (devido à deposição de manganês em cirróticos), esse achado não é específico nem sensível para o diagnóstico de EH aguda. O diagnóstico permanece eminentemente clínico.
A imagem (TC ou RM) é indicada quando o paciente apresenta sinais neurológicos focais, trauma craniano recente, ou quando o quadro de confusão mental não melhora após o tratamento dos fatores precipitantes da encefalopatia.
Os gatilhos mais comuns incluem hemorragia digestiva, infecções (como PBE), distúrbios hidroeletrolíticos (hipocalemia), uso de diuréticos em excesso, constipação e desidratação pós-paracentese sem reposição adequada.
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