UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 36 anos está internado por encefalopatia hepática grau I. AP: cirrose por álcool, abstinente há 6 meses. EF: estável hemodinamicamente, confuso, vigil e colaborativo. A dieta a ser prescrita é:
Encefalopatia Hepática → NÃO restringir proteína; manter 1,2-1,5 g/kg/dia para prevenir sarcopenia e piora da amônia.
A restrição proteica na cirrose é obsoleta e prejudicial. O músculo esquelético é vital para a remoção da amônia; logo, manter o aporte proteico é essencial.
A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa causada pela falha do fígado em metabolizar neurotoxinas, principalmente a amônia. Historicamente, acreditava-se que reduzir a ingestão de proteínas diminuiria a produção de amônia intestinal. Entretanto, evidências modernas mostram que o estado nutricional é um preditor independente de sobrevida na cirrose. A manutenção da massa muscular é uma estratégia terapêutica chave, pois o músculo compensa parcialmente a perda da função hepática no ciclo da ureia através da via da glutamina sintetase.
Pacientes cirróticos são hipermetabólicos e frequentemente desnutridos. A restrição proteica leva ao catabolismo muscular (sarcopenia). Como o músculo esquelético é um local importante para a detoxificação da amônia (via síntese de glutamina), a perda de massa muscular acaba piorando a encefalopatia a longo prazo.
As diretrizes da ESPEN e EASL recomendam um aporte calórico de 30 a 35 kcal/kg/dia e um aporte proteico de 1,2 a 1,5 g/kg/dia. Em casos raros de intolerância proteica severa, pode-se usar aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), mas a restrição proteica absoluta deve ser evitada.
Além do aporte total, recomenda-se fracionar a dieta em pequenas refeições ao longo do dia, incluindo um lanche noturno rico em carboidratos complexos para evitar períodos prolongados de jejum e minimizar a gliconeogênese a partir de proteínas musculares.
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