Encefalopatia Hepática: Fatores Desencadeantes e Manejo

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 66 anos, portadora de cirrose hepática Child B por esteato-hepatite não alcoólica, é trazida ao pronto atendimento por desorientação e sonolência há 24 horas. Faz uso de furosemida, espironolactona, propranolol e lactulose. Exame físico: escala de coma de Glasgow = 10 (A02 RV3 RM5), presença de flapping, exame abdominal com ascite não tensa e toque retal com melena. Exames laboratoriais evidenciam hemograma e eletrólitos sem alterações. Realizada paracentese diagnóstica com achado de 230 leucócitos por mm³, sendo 70% de neutrófilos. Qual é o mais provável fator desencadeante do quadro de encefalopatia da paciente?

Alternativas

  1. A) Excesso de diuréticos.
  2. B) Gastroenterocolite aguda.
  3. C) Constipação.
  4. D) Peritonite bacteriana espontânea.
  5. E) Hemorragia digestiva alta.

Pérola Clínica

Cirrótico + desorientação + melena → Hemorragia Digestiva Alta é fator desencadeante de encefalopatia hepática.

Resumo-Chave

A encefalopatia hepática é uma complicação grave da cirrose, e sua descompensação é frequentemente precipitada por fatores como infecções (PBE) ou hemorragia digestiva. A melena é um sinal claro de HDA, que é um potente gatilho para encefalopatia, enquanto a PBE não está confirmada pelos neutrófilos na paracentese neste caso.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com insuficiência hepática aguda ou crônica, sendo uma das principais complicações da cirrose. Sua prevalência é alta, afetando até 80% dos pacientes cirróticos em algum momento. É crucial para o residente reconhecer os fatores precipitantes para um manejo adequado e rápido. A fisiopatologia da EH envolve o acúmulo de substâncias neurotóxicas, principalmente amônia, devido à falha do fígado em metabolizá-las. Fatores precipitantes comuns incluem hemorragia digestiva (aumento da carga proteica intestinal), infecções (como a peritonite bacteriana espontânea - PBE), desidratação, uso excessivo de diuréticos, constipação e uso de sedativos. O diagnóstico é clínico, baseado na alteração do estado mental e na presença de doença hepática, com a exclusão de outras causas de disfunção cerebral. O tratamento da EH visa identificar e corrigir o fator precipitante, reduzir a produção e absorção de amônia (com lactulose e rifaximina) e fornecer suporte geral. No caso apresentado, a melena é um sinal evidente de hemorragia digestiva alta, um potente gatilho para EH. Embora a paciente tenha ascite e leucócitos elevados no líquido ascítico, a contagem de neutrófilos (161) não atinge o limiar diagnóstico de PBE (>250), tornando a HDA o fator mais provável entre as opções.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de encefalopatia hepática?

Os sinais variam de alterações sutis de humor e sono a desorientação, flapping (asterixis), sonolência e coma, classificados pela escala de West Haven.

Por que a hemorragia digestiva alta precipita a encefalopatia hepática?

A hemorragia digestiva alta aumenta a carga de nitrogênio no intestino (sangue digerido), que é convertido em amônia por bactérias intestinais, sobrecarregando o fígado já comprometido e levando à encefalopatia.

Como diferenciar a peritonite bacteriana espontânea de outras causas de ascite em cirróticos?

A PBE é diagnosticada pela paracentese com contagem de neutrófilos no líquido ascítico > 250 células/mm³, na ausência de uma fonte intra-abdominal secundária de infecção.

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