Encefalopatia Hepática: Gatilhos e Manejo na Urgência

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente etilista crônico há 20 anos, deu entrada no serviço de urgência com queda do estado geral, icterícia e aumento do volume abdominal. No exame físico apresentava-se ictérico ++/4+, com rarefação de pelos no tronco e nos membros inferiores, aumento das parótidas; eritema palmar, aranhas vasculares no tronco próximo às clavículas, importante diminuição de massa muscular dos membros. Abdômen globoso, com volume aumentado, presença de macicez móvel de decúbito, indolor a palpação. Traube ocupado, com baço palpável a 3 cm RCE. Foi submetido a Endoscopia Digestiva alta. O paciente em questão evolui com desorientação e flapping caracterizando o quadro de encefalopatia hepática. Os fatores desencadeantes para o desenvolvimento desta complicação podem ser:

Alternativas

  1. A) Desidratação, ingesta de proteínas essenciais com aminoácidos de cadeia ramificada.
  2. B) Sangramento digestivo por ruptura de varizes esofageanas, peritonite bacteriana espontânea.
  3. C) Hipopotassemia por uso de diuréticos em excesso, uso de lactulona.\n
  4. D) Constipação intestinal, utilização de L-ornitina L-aspartato por via intravenosa.

Pérola Clínica

Encefalopatia hepática → Investigar sempre: Infecção (PBE), Sangramento (HDA) e Distúrbios Hidroeletrolíticos.

Resumo-Chave

A encefalopatia hepática é uma disfunção cerebral causada por insuficiência hepática e/ou shunts portossistêmicos, frequentemente desencadeada por eventos agudos que aumentam a produção ou diminuem a depuração de amônia.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática (EH) reflete um espectro de anormalidades neuropsiquiátricas em pacientes com doença hepática significativa. A fisiopatologia centra-se na neurotoxicidade da amônia, que atravessa a barreira hematoencefálica e causa edema astrocitário e disfunção de neurotransmissores. Em pacientes estáveis que descompensam subitamente com EH, é imperativo descartar gatilhos. A hemorragia digestiva alta (pela carga proteica), infecções (especialmente a Peritonite Bacteriana Espontânea), distúrbios eletrolíticos (como a hipocalemia, que aumenta a produção renal de amônia) e o uso de sedativos são as causas mais comuns. O tratamento foca na remoção do fator causal e na redução da carga de amônia intestinal com lactulona e, se necessário, rifaximina.

Perguntas Frequentes

O que é o flapping ou asterixe?

É um tremor rítmico e grosseiro observado nas mãos ao realizar a extensão do punho com os dedos espalhados. Ele indica uma disfunção metabólica cerebral e é um sinal clássico, embora não patognomônico, da encefalopatia hepática.

Como o sangramento digestivo causa encefalopatia?

O sangue presente no trato gastrointestinal atua como uma carga proteica maciça. As bactérias colônicas degradam essas proteínas, gerando grandes quantidades de amônia que, devido à falência hepática ou shunts, atinge a circulação sistêmica e o cérebro.

Qual o papel da lactulona no tratamento?

A lactulona é um dissacarídeo não absorvível que acidifica o conteúdo colônico, convertendo a amônia (NH3) em íon amônio (NH4+), que não é absorvido. Além disso, seu efeito laxativo ajuda a expelir as bactérias produtoras de amônia e o sangue residual.

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