Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Um paciente do sexo masculino com 55 anos de idade está internado em uma enfermaria de clínica médica com o diagnóstico de cirrose hepática de causa alcóolica agravada por hemorragia digestiva alta. Suspeita-se de encefalopatia hepática.Assinale a opção que apresenta achado clínico que reforça a presença desse tipo de complicação.
Cirrose + alteração neurológica (disartria, asterixe) → suspeitar de encefalopatia hepática.
A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica da cirrose, causada pelo acúmulo de toxinas (principalmente amônia) que o fígado doente não consegue metabolizar. Manifesta-se com alterações cognitivas, comportamentais e motoras, como a disartria.
A encefalopatia hepática é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com insuficiência hepática aguda ou crônica, especialmente na cirrose. É caracterizada por um espectro de alterações mentais e neuromusculares, variando de mínimas a coma profundo, e representa uma das complicações mais graves da doença hepática avançada. A fisiopatologia envolve principalmente o acúmulo de substâncias neurotóxicas, como a amônia, que não são adequadamente metabolizadas pelo fígado comprometido. Essas toxinas afetam o funcionamento cerebral, alterando a neurotransmissão e a função astrocitária. Achados clínicos como a disartria (dificuldade na articulação da fala) e a asterixe (flapping tremor) são indicativos de disfunção neurológica e reforçam a suspeita de encefalopatia hepática. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e o tratamento visa reduzir a produção e absorção de amônia (lactulose, rifaximina) e identificar e corrigir fatores precipitantes (sangramento gastrointestinal, infecções, desidratação). O reconhecimento precoce dos sinais é vital para o manejo adequado e melhora do prognóstico.
Os sintomas variam de alterações sutis de humor e sono a confusão mental, desorientação, asterixe (flapping tremor), disartria e, em casos graves, coma. A progressão é gradual ou abrupta.
A amônia, produto do metabolismo proteico, não é adequadamente convertida em ureia pelo fígado cirrótico, acumulando-se no sangue e atravessando a barreira hematoencefálica, causando disfunção neuronal.
É crucial excluir outras causas como infecções (peritonite bacteriana espontânea), sangramento gastrointestinal, desidratação, distúrbios eletrolíticos e uso de sedativos. A avaliação clínica e exames complementares são fundamentais.
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