Encefalopatia Hepática: Estratégias de Manejo e Profilaxia

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023

Enunciado

Considerando-se o manejo da encefalopatia hepática, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Lactulose deve ser introduzida em dose inicial de 20-40 mL a cada 24 horas, com objetivo de se conseguir de 1-2 evacuações pastosas no dia.
  2. B) A profilaxia secundária após um episódio deve ser realizada, preferencialmente, com lactulose e, se disponível, associada à rifaximina.
  3. C) O uso de aminoácidos de cadeias ramificadas demostrou grande benefício quando usado nas fases iniciais do quadro.
  4. D) Em 12 horas, não havendo melhora clínica, deve-se associar neomicina ou metronidazol.

Pérola Clínica

Profilaxia secundária EH: Lactulose + Rifaximina = ↓ recorrência e melhora prognóstico.

Resumo-Chave

A profilaxia secundária da encefalopatia hepática (EH) é crucial após um primeiro episódio. A combinação de lactulose, que reduz a absorção de amônia, e rifaximina, um antibiótico que modula a flora intestinal, é a abordagem mais eficaz para prevenir recorrências.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com insuficiência hepática aguda ou crônica, caracterizada por um espectro de alterações mentais e neuromusculares. É uma complicação comum e grave da cirrose, impactando significativamente a qualidade de vida e a sobrevida. A patogênese envolve principalmente a hiperamonemia, mas outros fatores como inflamação sistêmica e neuroinflamação também contribuem. O manejo da EH visa reduzir a produção e absorção de amônia e tratar os fatores precipitantes. A lactulose é a terapia de primeira linha, atuando como laxante osmótico e acidificante do cólon. Para a profilaxia secundária, ou seja, após um primeiro episódio de EH, a combinação de lactulose e rifaximina é a estratégia mais eficaz. A rifaximina, um antibiótico de amplo espectro com mínima absorção sistêmica, modula a microbiota intestinal e reduz a produção de amônia. Outras terapias, como aminoácidos de cadeia ramificada, são consideradas em casos refratários ou intolerância aos tratamentos padrão, mas com evidências de benefício menos robustas. É fundamental monitorar a resposta ao tratamento, ajustando as doses para atingir o objetivo de 2-3 evacuações pastosas por dia e vigilância para efeitos adversos. A educação do paciente e cuidadores sobre a importância da adesão ao tratamento é essencial para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação da lactulose no tratamento da encefalopatia hepática?

A lactulose é um dissacarídeo não absorvível que, ao ser metabolizado pela flora intestinal, acidifica o cólon. Isso converte a amônia (NH3) em íon amônio (NH4+), que não é absorvido e é excretado nas fezes, reduzindo assim os níveis séricos de amônia, principal neurotoxina na encefalopatia hepática.

Por que a rifaximina é associada à lactulose na profilaxia secundária da encefalopatia hepática?

A rifaximina é um antibiótico não absorvível que atua reduzindo a produção de amônia por bactérias intestinais. Sua associação à lactulose na profilaxia secundária demonstrou ser superior à lactulose isolada na redução do risco de recorrência da encefalopatia hepática, melhorando o prognóstico dos pacientes.

Quais são os objetivos do tratamento agudo da encefalopatia hepática?

No tratamento agudo, o objetivo principal é reduzir os níveis de amônia e reverter o estado mental alterado. Isso é feito principalmente com lactulose em doses mais elevadas para induzir 2-3 evacuações pastosas por dia, além da identificação e tratamento de fatores precipitantes como infecções, sangramento gastrointestinal ou desidratação.

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