Encefalopatia Hepática: Diagnóstico Clínico e Sinais Chave

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente cirrótico, chegou ao pronto socorro com quadro de sonolência, inversão do ciclo sono-vigília, asterix e ascite. Qual o diagnóstico mais provável e a melhor forma de comprovar a hipótese clínica?

Alternativas

  1. A) Encefalopatia hepática; dosagem de amônia sanguínea.
  2. B) Encefalopatia hepática; protocolo da ressonância nuclear magnética de manganês que impregna nos núcleos da base.
  3. C) Encefalopatia hepática; diagnóstico clínico.
  4. D) Hematoma subdural; TC de crânio.

Pérola Clínica

Cirrótico + sonolência, asterix, inversão sono-vigília → Encefalopatia Hepática (diagnóstico clínico).

Resumo-Chave

A encefalopatia hepática é um diagnóstico clínico em pacientes cirróticos com alterações neuropsiquiátricas características. Embora a amônia sérica esteja elevada, sua dosagem não é usada para confirmar o diagnóstico ou graduar a gravidade, sendo mais útil para monitoramento terapêutico.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica comum e potencialmente reversível da insuficiência hepática aguda ou crônica, especialmente em pacientes cirróticos. Caracteriza-se por um espectro de alterações cognitivas, comportamentais e motoras, resultantes da acumulação de substâncias neurotóxicas, principalmente amônia, que o fígado doente não consegue metabolizar adequadamente. É um tema frequente em provas de residência, exigindo do candidato o reconhecimento dos sinais clínicos e a compreensão do processo diagnóstico. O diagnóstico da encefalopatia hepática é primariamente clínico, baseado na presença de sintomas neuropsiquiátricos característicos em um paciente com doença hepática conhecida. Sinais como sonolência, inversão do ciclo sono-vigília, asterix (flapping tremor) e confusão mental são altamente sugestivos. Embora a hiperamonemia seja um achado comum e reflita a disfunção hepática, os níveis de amônia sérica não são utilizados como critério diagnóstico confirmatório, pois sua correlação com a gravidade clínica é inconsistente e podem haver outras causas para sua elevação. O manejo da encefalopatia hepática envolve a identificação e tratamento de fatores precipitantes (como sangramento gastrointestinal, infecções, constipação, uso de diuréticos), além da redução da produção e absorção de amônia intestinal com lactulose e/ou rifaximina. Para o residente, é crucial saber diferenciar a encefalopatia hepática de outras causas de alteração do estado mental e iniciar o tratamento adequado prontamente para evitar a progressão para o coma hepático.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da encefalopatia hepática?

Os sinais e sintomas incluem alterações do estado mental (sonolência, confusão), inversão do ciclo sono-vigília, asterix (flapping tremor), disartria, bradicinesia e, em casos graves, coma. A gravidade é classificada pela escala de West Haven.

Por que a dosagem de amônia não é o principal critério diagnóstico para encefalopatia hepática?

Embora a hiperamonemia seja um fator chave na fisiopatologia, os níveis de amônia sérica não se correlacionam perfeitamente com a gravidade clínica da encefalopatia e podem ser influenciados por outros fatores. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e na exclusão de outras causas.

Quais são os diagnósticos diferenciais da encefalopatia hepática?

Os diagnósticos diferenciais incluem outras causas de alteração do estado mental, como hipoglicemia, distúrbios eletrolíticos, infecções do sistema nervoso central, uso de sedativos, acidente vascular cerebral e hematoma subdural, especialmente em pacientes com coagulopatia associada à cirrose.

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