Encefalopatia Hepática: Abordagem e Fatores Precipitantes

UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 45 anos, cirrótico em tratamento de ascite de difícil controle há 2 meses, apresenta-se com quadro de alteração do ciclo sono-vigília, confusão mental. O exame físico evidencia desidratação (++/4), hipocorado (+/4), FC: 90 bpm, PA: 100x60 mmHg, desorientado no tempo e espaço com flapping presente. Ascite grau II, indolor à palpação e sem edema em membros inferiores. Os exames laboratoriais evidenciaram: Hb: 10,3,Hct: 32 Leuc: 5.000, plaquetas: 72.000, Ur: 80, Cr: 1,4, Na: 125, K: 3,0. Na abordagem inicial para o quadro de Encefalopatia Hepática deve ser considerado:

Alternativas

  1. A) Tratar inicialmente para Encefalopatia com lactulose 30 ml a cada 8 horas, até atingir 2-3 evacuações pastosas.
  2. B) Correção do fator precipitante que poderia ser a desidratação associada à correção da hipocalemia e provável alcalose metabólica, devido a uso excessivo de diuréticos e diminuição na excreção renal de íons de hidrogênio.
  3. C) Correção do fator precipitante que poderia ser a desidratação provavelmente de origem hipovolêmica, hidratação vigorosa com soro fisiológico associada a lactulose de 8/8 horas.
  4. D) Tratar inicialmente da IRA, com expansão volume com albumina 1 g/ kg/peso e em seguida a Encefalopatia.
  5. E) Tratar o fator precipitante, suspendendo o uso de diurético, associado à expansão de volume com albumina1g/kg para IRA e lactulose 30 ml de hora em hora, até evacuação.

Pérola Clínica

Encefalopatia hepática: sempre buscar e corrigir fatores precipitantes (desidratação, distúrbios eletrolíticos, IRA).

Resumo-Chave

Na encefalopatia hepática, a prioridade é identificar e corrigir os fatores precipitantes, como desidratação, hipocalemia e lesão renal aguda, frequentemente associados ao uso excessivo de diuréticos em cirróticos. A expansão volêmica com albumina para a IRA e a suspensão dos diuréticos são cruciais, juntamente com a lactulose para reduzir a amônia.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com insuficiência hepática aguda ou crônica, sendo uma das principais complicações da cirrose. Caracteriza-se por um espectro de alterações neurológicas e psiquiátricas, desde alterações sutis de humor e cognição até coma. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade e no impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia da EH é multifatorial, mas a amônia é considerada a principal neurotoxina. No entanto, outros fatores como inflamação sistêmica, disfunção da barreira hematoencefálica e alterações nos neurotransmissores também contribuem. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico (flapping, confusão mental), e na exclusão de outras causas de alteração do estado mental. É fundamental identificar e corrigir os fatores precipitantes, que podem desencadear ou agravar a EH, como desidratação, sangramento gastrointestinal, infecções, distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, alcalose) e uso de sedativos. O tratamento inicial da EH foca na correção dos fatores precipitantes. Isso inclui suspender diuréticos em casos de desidratação e distúrbios eletrolíticos, tratar infecções, controlar sangramentos e corrigir a hipocalemia. A lactulose é a terapia de primeira linha para reduzir a produção e absorção de amônia no intestino. Em casos de lesão renal aguda em cirróticos, a expansão volêmica com albumina pode ser indicada. O prognóstico da EH depende da gravidade do episódio e da capacidade de controlar os fatores precipitantes e a doença hepática subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores precipitantes da encefalopatia hepática em pacientes cirróticos?

Os principais fatores precipitantes incluem sangramento gastrointestinal, infecções (especialmente peritonite bacteriana espontânea), desidratação, distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, alcalose), uso de sedativos, constipação e lesão renal aguda. O uso excessivo de diuréticos é uma causa comum de desidratação e hipocalemia.

Por que a correção da desidratação e hipocalemia é importante na encefalopatia hepática?

A desidratação pode levar à lesão renal aguda e aumentar a produção de amônia. A hipocalemia, por sua vez, pode causar alcalose metabólica, que favorece a conversão de amônia (NH4+) em amônia não ionizada (NH3), que atravessa a barreira hematoencefálica e agrava a encefalopatia.

Qual o papel da albumina e da suspensão de diuréticos no manejo da encefalopatia hepática associada à lesão renal aguda?

A suspensão de diuréticos é crucial para evitar a desidratação e os distúrbios eletrolíticos. A albumina é frequentemente utilizada para expansão volêmica em pacientes cirróticos com lesão renal aguda, especialmente se houver suspeita de síndrome hepatorenal ou para prevenir sua progressão, pois melhora a perfusão renal e a estabilidade hemodinâmica.

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