SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 58 anos de idade, com histórico de etilismo (80 g/dia por 30 anos) e cirrose hepática diagnosticada há 2 anos, apresenta-se ao ambulatório com ascite moderada, asterixis, icterícia e relato de dois episódios prévios de encefalopatia hepática. Faz uso de lactulose. Exames revelam bilirrubina total: 5,4 mg/dL, albumina sérica: 2,2 g/dL, creatinina: 1,6 mg/dL, INR: 2,1, sódio: 127 mEq/L. Ultrassonografia abdominal mostra fígado de contornos irregulares e ausência de nódulos\n\nO principal papel da lactulose nesse cenário é:
Lactulose → acidificação do cólon → converte NH3 (absorvível) em NH4+ (não absorvível) → ↓ amônia sérica.
A lactulose reduz a amônia sérica através da acidificação do lúmen intestinal, promovendo a conversão química da amônia em amônio, que é excretado nas fezes.
A encefalopatia hepática (EH) é uma complicação neuropsiquiátrica grave da cirrose, resultante da falha hepática em metabolizar toxinas nitrogenadas, principalmente a amônia. A lactulose permanece como terapia de primeira linha devido ao seu perfil de segurança e eficácia comprovada no 'sequestro' intestinal de amônia.\n\nAlém do efeito químico de conversão NH3/NH4+, a lactulose também possui efeito osmótico laxativo, reduzindo o tempo de trânsito intestinal e, consequentemente, o tempo disponível para a produção e absorção de toxinas pelas bactérias colônicas. Em casos refratários, a associação com antibióticos não absorvíveis, como a rifaximina, é indicada.
A lactulose é um dissacarídeo não absorvível. Ao chegar ao cólon, é metabolizada por bactérias em ácidos orgânicos (ácido lático e acético), o que reduz o pH luminal. Esse ambiente ácido favorece a conversão da amônia (NH3), que atravessa membranas, em íon amônio (NH4+), que é polar e fica 'preso' no intestino (íon trapping), sendo eliminado nas fezes.
A eficácia não é medida pelo nível de amônia sérica, mas sim pela melhora clínica do estado mental (escala de West Haven) e pela frequência evacuatória. O objetivo terapêutico é obter de 2 a 3 evacuações de consistência pastosa por dia, ajustando a dose conforme necessário.
Os gatilhos mais comuns incluem hemorragia digestiva, infecções (como PBE), desidratação (uso excessivo de diuréticos), distúrbios eletrolíticos (hipocalemia), constipação e uso de medicamentos sedativos ou analgésicos opioides.
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