Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Um paciente de 50 anos, sexo masculino, com histórico de etilismo e tabagismo desde 14 anos, apresenta-se no pron- to atendimento com confusão mental e tremores (asterixis) há 5 dias, segundo os familiares. Ao exame físico, revela icterícia, ascite volumosa e edema de membros inferiores. Os exames complementares demostram aumento dos níveis de gamaGT, bilirrubina direta, transaminases e amônia, associados a tempo de protrombina prolongado e níveis de albumina sérica baixos.Qual é a condição mais provável que está causando esses sintomas?
Paciente com doença hepática crônica + alteração neurológica (confusão, asterixis) + ↑ amônia → Encefalopatia Hepática.
A encefalopatia hepática é uma complicação neuropsiquiátrica da insuficiência hepática, caracterizada por alterações da consciência e comportamento, frequentemente precipitada por fatores como infecções, sangramento gastrointestinal ou desidratação, e associada a níveis elevados de amônia, que é neurotóxica.
A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica complexa que ocorre em pacientes com insuficiência hepática aguda ou crônica, sendo uma complicação comum e grave da cirrose, com prevalência de até 40% em pacientes cirróticos. É um marcador de prognóstico desfavorável e impacta significativamente a qualidade de vida. A fisiopatologia da EH é multifatorial, mas a hiperamonemia é o principal fator implicado. A amônia, produzida no intestino, não é adequadamente metabolizada pelo fígado doente, acumulando-se no sangue e atravessando a barreira hematoencefálica, onde causa disfunção astrocitária e neuronal. Fatores precipitantes comuns incluem sangramento gastrointestinal, infecções, desidratação, uso de sedativos e constipação. O quadro clínico varia de alterações sutis de humor e sono a confusão mental, asterixis e coma. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e pode ser corroborado por níveis elevados de amônia (embora não sejam diagnósticos por si só). O tratamento visa reduzir a amônia e tratar os fatores precipitantes. A lactulose é a terapia de primeira linha, seguida pela rifaximina. O manejo adequado é crucial para prevenir a progressão da doença e melhorar o prognóstico dos pacientes com doença hepática avançada.
Os sinais e sintomas variam de leves a graves e incluem alterações de humor e personalidade, distúrbios do sono, confusão mental, desorientação, letargia, fala arrastada e asterixis (flapping tremor). Em casos avançados, pode progredir para coma hepático.
A amônia é uma neurotoxina produzida pela degradação de proteínas no intestino e metabolizada no fígado. Na insuficiência hepática, o fígado não consegue remover a amônia eficientemente, levando ao seu acúmulo no sangue e cérebro, onde causa disfunção neuronal e edema cerebral, contribuindo para os sintomas da encefalopatia.
O tratamento visa reduzir a produção e absorção de amônia. Inclui o uso de lactulose, que acidifica o cólon e promove a eliminação de amônia, e antibióticos não absorvíveis como a rifaximina, que reduzem as bactérias produtoras de amônia no intestino. É fundamental também identificar e tratar os fatores precipitantes, como infecções, sangramento gastrointestinal ou desidratação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo