ADEM Pediátrica: Diagnóstico, Tratamento e Acompanhamento

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Escolar de 6 anos inicia com perda visual, ataxia, déficits motores e sensitivos, evolução rapidamente progressiva ao longo de dias, com crises convulsivas e alterações do comportamento. Tomografia de crânio normal e ressonância magnética (RM) com grandes lesões em T2 com aspecto de massa bilaterais, multifocais, confluente e com edema, com realce de contraste na substância branca e cinzenta dos hemisférios cerebrais, cerebelo e tronco encefálico. Realizada pulsoterapia com metilprednisolona por 5 dias com melhora clínica importante. Com base na principal hipótese diagnóstica analise as assertivas abaixo e a relação entre elas.I. – Exames de controle por RM 3 a 12 meses após devem mostrar melhora importante. PORQUEII. – Lesões novas ou aumentadas em T2 devem impulsionar à reavaliação para pesquisa de outras etiologias, como esclerose múltipla. A respeito destas asserções, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
  2. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
  3. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. E) As asserções I e II são proposições falsas.

Pérola Clínica

ADEM pediátrica: melhora clínica e radiológica pós-corticoterapia; lesões novas/aumentadas na RM de controle → reavaliar para EM.

Resumo-Chave

A Encefalomielite Disseminada Aguda (ADEM) tipicamente apresenta melhora significativa com corticoides, refletida em exames de imagem de controle. A persistência ou surgimento de novas lesões em RM após 3-12 meses deve levantar a suspeita de outras etiologias, como Esclerose Múltipla, que requerem manejo distinto.

Contexto Educacional

A Encefalomielite Disseminada Aguda (ADEM) é uma doença inflamatória desmielinizante do sistema nervoso central, mais comum em crianças, frequentemente desencadeada por infecções virais ou vacinações. Caracteriza-se por um início agudo ou subagudo de sintomas neurológicos multifocais, como perda visual, ataxia, déficits motores e sensitivos, crises convulsivas e alterações comportamentais. A ADEM é considerada uma doença monofásica, com um único episódio de desmielinização. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica e nos achados de ressonância magnética (RM) de crânio, que tipicamente revelam lesões grandes, multifocais, com edema e realce de contraste na substância branca e cinzenta. O tratamento de primeira linha consiste em pulsoterapia com metilprednisolona, que geralmente leva a uma melhora clínica e radiológica significativa. A resposta aos corticoides é um ponto chave para o diagnóstico e prognóstico. O acompanhamento por RM é fundamental para confirmar a resolução das lesões e, mais importante, para diferenciar a ADEM de outras doenças desmielinizantes, como a Esclerose Múltipla (EM) pediátrica. Embora a ADEM seja monofásica, o surgimento de novas lesões ou o aumento das lesões existentes em exames de controle (geralmente 3 a 12 meses após o evento inicial) deve levantar a suspeita de EM, que é uma doença recorrente e requer um manejo a longo prazo diferente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos de imagem na RM de crânio em pacientes com ADEM?

A RM de crânio em ADEM tipicamente mostra grandes lesões em T2, multifocais, confluentes e com edema, com realce de contraste na substância branca e cinzenta dos hemisférios cerebrais, cerebelo e tronco encefálico.

Por que a pulsoterapia com metilprednisolona é a conduta inicial na ADEM?

A pulsoterapia com metilprednisolona é a conduta inicial devido à natureza inflamatória e desmielinizante da ADEM, visando reduzir a inflamação e a extensão do dano neurológico, o que geralmente resulta em melhora clínica significativa.

Qual a importância do acompanhamento por RM após o tratamento da ADEM?

O acompanhamento por RM é crucial para monitorar a resolução das lesões e, principalmente, para identificar o surgimento de novas lesões ou o aumento das existentes, o que pode indicar uma evolução para Esclerose Múltipla ou outra doença desmielinizante recorrente.

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