Encefalite: Diagnóstico no Líquor e Manejo do Coma

HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2021

Enunciado

Paciente feminina de 60 anos, portadora de diabetes insulinodependente, interna por quadro de febre e sonolência. Realiza exames e inicia quinolona para tratamento de infecção de trato urinário. Horas depois, retorna ao PS em coma. Realiza tomografia de crânio que é normal. Coletado líquor que tem o seguinte resultado: 15 leucócitos, 10 hemácias, proteína aumentada e glicorraquia normal. Bacterioscopia e látex do líquor normais. Qual a hipótese diagnóstica mais provável:

Alternativas

  1. A) Meningite.
  2. B) Infecção de trato urinário
  3. C) Encefalite.
  4. D) Delirium pelo uso do antibiótico.
  5. E) Mieloma múltiplo.

Pérola Clínica

Líquor: pleocitose linfocitária, proteína ↑, glicose normal + coma febril + TC normal → Encefalite.

Resumo-Chave

O quadro de febre, sonolência evoluindo para coma, associado a um líquor com pleocitose (15 leucócitos, predominantemente linfocitária, embora não especificado), proteinorraquia aumentada e glicorraquia normal, com bacterioscopia e látex negativos, é altamente sugestivo de encefalite, especialmente viral. A TC normal exclui lesões expansivas.

Contexto Educacional

A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, frequentemente de origem viral, que pode levar a um quadro grave de disfunção neurológica. É uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A epidemiologia varia conforme o agente etiológico, sendo herpes simplex vírus (HSV) uma das causas mais comuns e graves em adultos, mas outros vírus como arbovírus também são relevantes. A fisiopatologia envolve a invasão viral e a resposta inflamatória no tecido cerebral, resultando em edema, necrose e disfunção neuronal. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (febre, alteração do nível de consciência, convulsões, déficits neurológicos focais), exames de imagem (TC ou RM de crânio, que podem ser normais inicialmente ou mostrar edema/lesões focais) e análise do líquor. No líquor, os achados clássicos incluem pleocitose linfocitária, proteinorraquia aumentada e glicorraquia normal, com culturas e bacterioscopia negativas. O tratamento da encefalite é primariamente de suporte, visando manter as funções vitais e controlar complicações como convulsões e hipertensão intracraniana. Em casos de suspeita de encefalite herpética, o tratamento antiviral com aciclovir deve ser iniciado empiricamente o mais rápido possível, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à sua alta mortalidade e morbidade. O prognóstico depende da etiologia, gravidade do quadro e rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos no líquor de um paciente com encefalite viral?

Geralmente, o líquor na encefalite viral apresenta pleocitose linfocitária (aumento de leucócitos com predomínio de linfócitos), proteinorraquia normal ou levemente aumentada e glicorraquia normal.

Como diferenciar encefalite de meningite bacteriana com base no líquor?

A meningite bacteriana tipicamente mostra pleocitose neutrofílica acentuada, proteinorraquia muito elevada e glicorraquia baixa, enquanto a encefalite (e meningite viral) tem pleocitose linfocitária e glicorraquia normal.

Qual a importância da tomografia de crânio normal em um caso de suspeita de encefalite?

Uma TC de crânio normal é importante para excluir outras causas de coma, como lesões expansivas, hemorragias ou hidrocefalia, e não exclui o diagnóstico de encefalite, que pode não apresentar alterações visíveis na TC inicial.

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