UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Lactente de 11 meses de idade, apresenta febre não aferida a coriza hialina há 2 dias. Evolui de forma súbita com crise convulsiva de difícil controle, dificuldade em sustentar o pescoço e estrabismo. Tomografia computadorizada de crânio com hipodensidade difusa em ambos hemisférios cerebrais. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que contém a principal hipótese diagnóstica e seu respectivo tratamento:
Febre + convulsão refratária + sinais neurológicos focais + hipodensidade difusa TC → Encefalite viral (Aciclovir IV).
O quadro de febre, sintomas respiratórios inespecíficos, convulsão de difícil controle, sinais neurológicos focais (dificuldade em sustentar o pescoço, estrabismo) e alterações na TC de crânio (hipodensidade difusa) é altamente sugestivo de encefalite viral. A encefalite por Herpes simplex é uma das mais graves e tratáveis, justificando o início empírico de aciclovir endovenoso.
A encefalite viral é uma inflamação do parênquima cerebral causada por vírus, sendo uma emergência neurológica pediátrica com alta morbimortalidade. Em lactentes, o quadro clínico pode ser inespecífico inicialmente, com febre e sintomas prodrômicos, evoluindo rapidamente para alterações do nível de consciência, convulsões (muitas vezes refratárias ao tratamento convencional), déficits neurológicos focais e sinais de hipertensão intracraniana. O diagnóstico de encefalite viral é clínico e laboratorial, com a punção lombar para análise do líquor sendo fundamental. No entanto, a tomografia computadorizada de crânio, embora menos sensível que a ressonância magnética, pode revelar achados como hipodensidade difusa ou edema cerebral, que corroboram a suspeita. A identificação de sinais neurológicos focais, como estrabismo ou dificuldade em sustentar o pescoço, é um forte indicativo de comprometimento cerebral além de uma convulsão febril simples. O tratamento empírico com aciclovir endovenoso deve ser iniciado o mais rápido possível diante da suspeita de encefalite viral, especialmente em crianças, devido à prevalência e gravidade da encefalite por Herpes simplex vírus (HSV). O atraso no tratamento pode resultar em sequelas neurológicas graves ou óbito. O suporte intensivo, incluindo controle de convulsões e manejo da pressão intracraniana, é igualmente crucial.
Sinais de alerta incluem febre, alteração do nível de consciência, convulsões (especialmente se refratárias ou focais), déficits neurológicos focais (como estrabismo, paresias), irritabilidade e vômitos. Em lactentes, a dificuldade em sustentar o pescoço pode indicar comprometimento neurológico.
O aciclovir é o tratamento de escolha porque a encefalite por Herpes simplex vírus (HSV) é uma das causas mais comuns e graves de encefalite viral, e é tratável com esse antiviral. Devido à alta morbimortalidade da encefalite herpética, o tratamento empírico com aciclovir deve ser iniciado rapidamente, mesmo antes da confirmação etiológica.
A tomografia de crânio pode mostrar alterações como hipodensidade difusa, edema cerebral ou lesões focais, que são compatíveis com encefalite. Embora a ressonância magnética seja mais sensível, a TC pode ser útil na emergência para excluir outras causas e guiar a suspeita diagnóstica.
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