HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022
Homem de 61 anos foi levado a Unidade de Pronto Atendimento devido a cefaléia intensa, tosse seca e episódios de febre 38,5º/ C 39,5º C, com leve confusão mental há 7 dias, foi testado para SARS-CoV-2 e influenza, ambos foi negativos, além de uma radiografia de tórax normal. Ele foi informado de que provavelmente tinha COVID-19 e foi aconselhado a se isolar em casa. Depois de dois dias, foi trazido novamente à UPA com piora neurológica (paciente perdendo-se dentro de casa, tendo dificuldade em formular frases). Na chegada, estava febril 38,2º C e levemente taquicárdico. No exame neurológico, ela estava ligeiramente sonolento e distraído, não conseguia nomear objetos. A TC de crânio mostrou hipodensidade em lobo temporal direito. Uma punção lombar evidenciou 124 leucócitos (95% de linfócitos), 12 hemácias, proteína de 74 mg/dL, com glicorraquia normal. A Ressonância Magnética do encéfalo evidenciou anormalidades no lobo temporal bilateral, insula e giro do cíngulo, mais proeminentes à direita do que à esquerda. Considere a provável etiologia e sua conduta terapêutica para o caso acima.
Encefalite viral com acometimento temporal + LCR linfocitário → Suspeitar HSV e iniciar Aciclovir EV imediato.
O quadro clínico de febre, cefaleia, confusão mental e afasia, associado a achados de neuroimagem (hipodensidade/anormalidades em lobos temporais, insula e giro do cíngulo) e LCR com pleocitose linfocitária, é altamente sugestivo de encefalite por Herpes Vírus Simples (HSV). O tratamento empírico com Aciclovir endovenoso deve ser iniciado imediatamente, pois o atraso aumenta a morbimortalidade.
A encefalite viral é uma inflamação do parênquima cerebral, sendo a encefalite por Herpes Vírus Simples (HSV) a causa mais comum de encefalite esporádica grave em adultos e crianças. É uma emergência neurológica com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. A epidemiologia não mostra sazonalidade, e a infecção pode ser primária ou por reativação. A fisiopatologia envolve a invasão viral do sistema nervoso central, com predileção pelo lobo temporal, ínsula e giro do cíngulo. O quadro clínico é caracterizado por febre, cefaleia, alteração do nível de consciência, convulsões, déficits neurológicos focais (como afasia, hemiparesia) e alterações comportamentais. O diagnóstico é baseado na tríade de achados clínicos, alterações no líquor (pleocitose linfocitária, proteinorraquia elevada, glicorraquia normal) e achados de neuroimagem (edema e lesões hiperintensas em T2/FLAIR nos lobos temporais). O tratamento é feito com Aciclovir endovenoso em altas doses, que deve ser iniciado empiricamente na suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial por PCR no líquor. O prognóstico depende da rapidez do início do tratamento e da gravidade do quadro inicial. O diagnóstico diferencial inclui outras encefalites virais, autoimunes e bacterianas.
A encefalite por HSV tipicamente afeta os lobos temporais (uni ou bilateralmente), a ínsula e o giro do cíngulo, podendo apresentar hipodensidades na TC e anormalidades de sinal na RM, como hiperintensidade em T2/FLAIR.
O Aciclovir deve ser iniciado empiricamente e imediatamente devido à alta morbimortalidade associada à encefalite por HSV. O atraso no tratamento está diretamente relacionado a piores desfechos neurológicos e aumento da mortalidade.
O exame mais sensível e específico para confirmar a encefalite por HSV é a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para HSV no líquor. Outros exames incluem análise do LCR (pleocitose linfocitária, proteínas elevadas) e neuroimagem.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo