UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Paciente do sexo masculino, 25 anos, com diagnóstico de HIV há dois anos, com TARV adequada e carga viral indetectável, iniciou quadro de cefaleia e febre há cinco dias, progredindo nesse período com sonolência, hemiparesia e crises convulsivas focais inéditas. Realizada tomografia de crânio inicialmente, sem sinais de herniação e fundoscopia sem sinais de papiledema. Coletado líquor com pleocitose linfocítica, proteína levemente aumentada, glicorraquia normal. Ressonância magnética de sistema nervoso central evidenciou encefalite em região temporal.Com base no principal diagnóstico, assinale a opção que contemple o mais provável agente etiológico.
Encefalite aguda com acometimento temporal + pleocitose linfocítica no líquor → Suspeitar fortemente de Encefalite por Herpes Vírus Simples.
A encefalite por Herpes Vírus Simples (HSV) é uma emergência neurológica, caracterizada por febre, cefaleia, alteração do nível de consciência, déficits focais e crises convulsivas, com predileção pelo lobo temporal. O diagnóstico precoce e o tratamento com aciclovir são cruciais para o prognóstico.
A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, frequentemente de etiologia viral, que pode levar a morbidade e mortalidade significativas. A encefalite por Herpes Vírus Simples (HSV) é a forma mais comum de encefalite esporádica e uma das mais graves, com uma taxa de mortalidade elevada se não tratada precocemente. Embora o paciente tenha HIV, sua carga viral indetectável e TARV adequada sugerem um controle imunológico razoável, mas não o tornam imune a infecções como a por HSV. A fisiopatologia da encefalite por HSV envolve a reativação do vírus latente nos gânglios trigeminais ou sacrais, com subsequente disseminação para o sistema nervoso central, preferencialmente para os lobos temporais e frontais. Clinicamente, manifesta-se com febre, cefaleia, alteração do nível de consciência, déficits neurológicos focais (como hemiparesia) e crises convulsivas, que são altamente sugestivas de envolvimento focal. O diagnóstico é suportado por achados de líquor (pleocitose linfocítica, proteína elevada, glicose normal) e, crucialmente, pela ressonância magnética que demonstra o acometimento temporal. O tratamento empírico com aciclovir intravenoso deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita clínica, mesmo antes da confirmação laboratorial (PCR para HSV no líquor), devido à gravidade da doença e à melhora significativa do prognóstico com a terapia antiviral precoce. A diferenciação de outras causas de encefalite é vital, mas a combinação de apresentação aguda, acometimento temporal e achados de líquor torna o HSV o principal suspeito neste cenário.
A ressonância magnética na encefalite por HSV tipicamente mostra alterações inflamatórias e edema nos lobos temporais (unilateral ou bilateral), insula e córtex orbitofrontal, com realce após contraste.
O tratamento de escolha é o aciclovir intravenoso em altas doses (10 mg/kg a cada 8 horas) por 14 a 21 dias. O tratamento deve ser iniciado empiricamente diante da suspeita clínica.
O líquor na encefalite viral geralmente mostra pleocitose linfocítica (5-500 células/mm³), proteína levemente aumentada (50-200 mg/dL) e glicorraquia normal. A PCR para HSV no líquor é o método diagnóstico de escolha.
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