SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Um paciente de 6 anos é levado ao pronto atendimento sendo relatado quadro febril pela manhã (38,9°C) e apatia. Foi administrado antitérmico com melhora da temperatura. Durante o dia, voltou a ter febre e apresentou alguns vômitos e cefaleia. No momento da consulta, se encontra febril, prostrado e com falas desconexas. O restante do exame, sem particularidades, tendo sido aventada a hipótese de encefalite. Em relação ao caso clínico descrito e aos conhecimentos médicos relacionados, julgue o item a seguir. Casos confirmados de encefalite por herpes-vírus simples devem ser tratados com aciclovir por 14 a 21 dias.
Encefalite por HSV → Aciclovir IV (10mg/kg 8/8h) por 14 a 21 dias.
A encefalite herpética é uma emergência neurológica; o tratamento prolongado com aciclovir visa prevenir recidivas e minimizar sequelas neuropsiquiátricas graves.
A encefalite por Herpes Simplex (HSE) é a causa mais comum de encefalite viral esporádica fatal. Ocorre tipicamente por reativação do HSV-1 no gânglio trigêmeo ou infecção primária. O quadro clínico envolve febre, cefaleia, alterações de comportamento e déficits focais, frequentemente acometendo os lobos temporais. O diagnóstico padrão-ouro é o PCR do líquor, que possui alta sensibilidade e especificidade. O início precoce do aciclovir intravenoso é o fator prognóstico mais importante, devendo ser iniciado empiricamente na suspeita clínica, antes mesmo dos resultados laboratoriais.
A dose padrão para adultos e crianças acima de 3 meses é de 10 mg/kg por via intravenosa, administrada a cada 8 horas. Em neonatos, a dose é maior (20 mg/kg a cada 8 horas). É crucial ajustar a dose em pacientes com insuficiência renal e garantir hidratação adequada para prevenir a cristalúria e lesão renal aguda induzida pelo fármaco.
Estudos clínicos demonstraram que ciclos curtos de tratamento estão associados a altas taxas de recaída viral no sistema nervoso central. O período de 14 a 21 dias garante a supressão máxima da replicação do HSV, reduzindo a morbidade a longo prazo e a mortalidade, que é extremamente alta sem o tratamento antiviral adequado e completo.
Embora a melhora clínica e radiológica (RM) sejam importantes, em casos complexos ou em neonatos, recomenda-se repetir a punção lombar para realizar o PCR do HSV no líquor. A persistência de PCR positivo ao final do tratamento inicial indica a necessidade de estender a terapia antiviral até a negativação do líquor.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo