HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023
Homem, 66 anos, apresenta quadro de agressividade alternada com períodos de sonolência, há 2 dias. Familiares que o trouxeram à emergência do hospital referem que, acompanhando o quadro, o paciente apresenta febre de até 39 ºC, sem melhora com o uso de analgésicos ou antitérmicos. Avaliação clínica inicial: paciente torporoso, com Glasgow = 10; PA = 140 x 100 mmHg; ausência de rigidez de nuca; as auscultas cardíaca e respiratória são normais. A ressonância magnética do crânio evidenciou áreas de aumento da intensidade do sinal em ambas as regiões frontotemporais, com aumento do sinal em T2. Foi coletado líquor, e o resultado é aguardado. Com base na hipótese diagnóstica mais provável, o tratamento curativo correto deve ser feito com
Encefalite com lesões frontotemporais na RM + febre + alteração consciência → suspeitar HSE, iniciar Aciclovir empírico.
O quadro clínico de febre, alteração do nível de consciência e comportamento, associado a lesões frontotemporais na ressonância magnética, é altamente sugestivo de encefalite herpética (HSE). O tratamento com aciclovir deve ser iniciado empiricamente o mais rápido possível, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à alta morbimortalidade da doença.
A encefalite herpética (HSE) é a forma mais comum de encefalite esporádica fatal e grave, causada principalmente pelo vírus Herpes Simplex tipo 1 (HSV-1). Caracteriza-se por uma inflamação aguda do parênquima cerebral, com predileção pelas regiões frontotemporais, insulares e límbicas. A doença é uma emergência médica devido à sua alta morbimortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a reativação do HSV latente nos gânglios trigeminais e sua ascensão até o cérebro. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por febre, cefaleia, alteração do nível de consciência, convulsões e déficits neurológicos focais. A ressonância magnética (RM) de crânio com achados de edema e lesões hiperintensas em T2/FLAIR nas regiões frontotemporais é altamente sugestiva. A confirmação é feita pela detecção de DNA do HSV no líquor via PCR. O tratamento da encefalite herpética é uma emergência e deve ser iniciado empiricamente com aciclovir intravenoso em altas doses, assim que houver suspeita clínica, mesmo antes da confirmação laboratorial. A dexametasona pode ser considerada em casos selecionados para reduzir o edema cerebral. O prognóstico depende da rapidez do início do tratamento e da extensão do dano cerebral.
A RM de crânio na encefalite herpética frequentemente revela aumento da intensidade do sinal em T2 e FLAIR, com edema e, por vezes, realce, nas regiões frontotemporais, insulares e límbicas.
O aciclovir é um antiviral específico contra o vírus Herpes Simplex (HSV), principal agente etiológico da encefalite herpética. Sua administração precoce e em altas doses intravenosas é crucial para reduzir a replicação viral e melhorar o prognóstico.
Os diferenciais incluem outras encefalites virais (ex: arbovírus, enterovírus), encefalites autoimunes, abscessos cerebrais, tumores e eventos vasculares, que podem mimetizar os sintomas e achados de imagem.
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