AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Lactente de 8 meses iniciou há dois dias com febre e há um dia com irritabilidade e alteração do nível de consciência. Ao exame torporoso, escala de coma de Glasgow de 12, alteração de pares cranianos, colhido líquor que mostrou 120 células, predomínio de monomorfonucleares, glicose de 45mg/dl, proteínas de 85mg/dl. Pensando no agente etiológico mais provável, qual a alteração que esperaríamos encontrar no exame de neuroimagem?
Lactente com LCR monomorfonuclear + alt. consciência → Encefalite Herpética → Hemorragia bitemporal na neuroimagem.
O quadro clínico de um lactente com febre, irritabilidade, alteração do nível de consciência, pares cranianos e líquor com predomínio de monomorfonucleares e glicose normal/levemente reduzida é altamente sugestivo de encefalite viral, sendo a encefalite por Herpes Simplex (HSV) a mais provável e que classicamente causa lesões hemorrágicas bitemporais na neuroimagem.
A meningoencefalite em lactentes é uma emergência pediátrica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Embora a meningite bacteriana seja uma preocupação primária, as encefalites virais, especialmente a causada pelo vírus Herpes Simplex (HSV), são igualmente graves e podem levar a sequelas neurológicas devastadoras ou óbito. O quadro clínico pode ser inespecífico, com febre, irritabilidade, letargia e, em casos mais avançados, alterações do nível de consciência e sinais neurológicos focais. A análise do líquor é fundamental para o diagnóstico diferencial. Na encefalite viral, o líquor tipicamente mostra pleocitose com predomínio de monomorfonucleares, glicose normal ou levemente reduzida e proteínas elevadas. A encefalite herpética é notória por seu tropismo para os lobos temporais e frontais, causando necrose e hemorragia. Por isso, a neuroimagem, como a ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC), pode revelar áreas de edema, hemorragia e realce de contraste nessas regiões, sendo as áreas de hemorragia bitemporal um achado clássico. O tratamento da encefalite herpética é feito com aciclovir intravenoso, e a terapia deve ser iniciada o mais rápido possível, baseada na suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento, sendo que atrasos podem resultar em déficits cognitivos, epilepsia e outras sequelas neurológicas. A vigilância para sinais de aumento da pressão intracraniana e o manejo de convulsões também são componentes importantes do tratamento.
No líquor de encefalite viral, espera-se pleocitose com predomínio de monomorfonucleares (linfócitos), glicose normal ou levemente reduzida e proteínas elevadas. Esses achados, combinados com a clínica, sugerem fortemente uma etiologia viral.
A encefalite por Herpes Simplex (HSV) é a causa mais comum de encefalite esporádica grave, especialmente em crianças. O quadro clínico de febre, alteração do nível de consciência, sinais focais e o padrão do líquor são altamente sugestivos. Além disso, o HSV tem tropismo pelas regiões temporais e frontais, causando lesões hemorrágicas características.
Diante da suspeita de encefalite herpética, o tratamento empírico com aciclovir intravenoso deve ser iniciado imediatamente, mesmo antes da confirmação diagnóstica por PCR do líquor. A precocidade do tratamento é fundamental para reduzir a morbimortalidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo