UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
R.S.A., 26 anos, sexo masculino, solteiro, estudante de direito, natural e procedente de Cuiabá (MT). Previamente hígido, sem quaisquer comorbidades, bem como ausência de antecedente familiar de doença mental. História de cefaleia há 7 dias, de forte intensidade e primeira crise convulsiva do tipo generalizada tônico clônica há 5 dias, evoluindo com quadro de confusão e distúrbio comportamental flutuante. Ontem apresentou nova crise convulsiva, 3 crises nas últimas 12 horas. Deu entrada no HUJM com agitação psicomotora e desorganização do comportamento. Resultado de hemograma com linfocitose e TC de Crânio normal, RNM de crânio com contraste: Hipersinal em lobo temporal e córtex da ínsula à esquerda. De acordo com o caso clínico, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) Hipótese diagnóstica principal é epilepsia por esclerose mesial de lobo temporal, EEG deve ser solicitado assim como iniciar uso de fenobarbital regular e encaminhar paciente para o neurologista. ( ) A aplicação de PCR para detecção de DNA viral no LCR forneceu o padrão ouro para o diagnóstico de encefalite por herpes simplex, sendo a primeira hipótese diagnóstica. ( ) Dengue é a arbovirose mais prevalente nas Américas, endêmica em quase todos os países tropicais/subtropicais e deve fazer parte da suspeita clínica a arbovirose neuroinvasiva. ( ) Conduta sequencial é submeter paciente à coleta de LCR, RNM de crânio com espectroscopia para definição do diagnóstico de abcesso cerebral e iniciar antibioticoterapia de amplo espectro. Assinale a sequência correta.
Encefalite herpética: crises, alteração comportamental, hipersinal temporal na RNM → PCR HSV no LCR é padrão ouro.
O quadro clínico de cefaleia, crises convulsivas, alteração comportamental e achados de hipersinal em lobo temporal na RNM são altamente sugestivos de encefalite herpética. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do DNA viral do HSV no LCR por PCR, que é o padrão ouro.
A encefalite por herpes simplex (EHS) é a causa mais comum de encefalite esporádica fatal e devastadora em países desenvolvidos, sendo uma emergência neurológica. Caracteriza-se por um quadro agudo ou subagudo de febre, cefaleia, alterações de comportamento, confusão mental, crises convulsivas e déficits neurológicos focais, com predileção pelo lobo temporal. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato são cruciais para reduzir a morbimortalidade. O diagnóstico da EHS baseia-se na combinação de achados clínicos, de neuroimagem (RNM de crânio com hipersinal em lobos temporais, córtex insular e cíngulo) e, principalmente, na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). O padrão ouro para o diagnóstico é a detecção do DNA viral do Herpes Simplex (HSV) no LCR por PCR. Outras arboviroses neuroinvasivas, como a dengue, também devem ser consideradas em regiões endêmicas, mas o perfil de imagem e a apresentação clínica podem ajudar na diferenciação. A conduta terapêutica para EHS é a administração intravenosa de aciclovir em altas doses, iniciada empiricamente diante da forte suspeita clínica, mesmo antes da confirmação laboratorial. A demora no início do tratamento está associada a pior prognóstico. É fundamental diferenciar a EHS de outras condições que causam crises convulsivas e alterações comportamentais, como a epilepsia por esclerose mesial temporal, que tem um curso mais crônico e achados distintos.
A encefalite herpética tipicamente se manifesta com febre, cefaleia, alterações de comportamento, confusão mental, crises convulsivas e déficits neurológicos focais, com predileção pelo lobo temporal.
O PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) para detecção de DNA viral do Herpes Simplex no líquido cefalorraquidiano (LCR) é o método mais sensível e específico para confirmar a presença do vírus no sistema nervoso central, sendo crucial para o diagnóstico precoce.
A RNM de crânio com contraste pode revelar hipersinal e edema em regiões temporais mediais, córtex insular e cíngulo, achados que, embora não patognomônicos, são altamente sugestivos de encefalite herpética e guiam a suspeita diagnóstica.
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