Encefalite Herpética: Achados Típicos no Líquor (LCR)

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 29a, é trazido por familiares para o Pronto Atendimento após ter apresentado crise tônico-clônica generalizada. Há dois dias iniciou quadro de febre, cefaleia e mudança comportamental. Previamente hígido. Exame físico: T=38,1ºC; FC=98bpm; PA=128x84mmHg; Escala de coma de Glasgow=14, restante do exame físico normal. Ressonância magnética de crânio e coleta de líquor.OS ACHADOS ESPERADOS PARA ESTE LÍQUOR SÃO: 

Alternativas

  1. A) Pleocitose com predomínio de linfócitos, aumento discreto de proteínas, glicorraquia normal (superior a dois terços da glicemia), lactato normal, culturas e pesquisa de bactérias negativas. Pesquisa positiva para HSV-1 ou HSV-2.
  2. B) Pleocitose com predomínio de linfócitos, aumento discreto de proteínas, glicorraquia reduzida (inferior a dois terços da glicemia), lactato aumentado, culturas e pesquisa de bactérias negativas. Pesquisa positiva para HSV-1 ou HSV.
  3. C) Pleocitose com predomínio de linfócitos, aumento discreto de proteínas, glicorraquia normal (superior a dois terços da glicemia), lactato normal, culturas e pesquisa de bactérias negativas. Pesquisa positiva para Citomegalovírus.
  4. D) Pleocitose com predomínio de linfócitos, aumento discreto de proteínas, glicorraquia reduzida (inferior a dois terços da glicemia), lactato aumentado, culturas e pesquisa de bactérias negativas. Pesquisa positiva para Citomegalovírus.

Pérola Clínica

Encefalite herpética: LCR com pleocitose linfocitária, proteínas ↑ discretas, glicose normal, PCR HSV-1/2 positivo.

Resumo-Chave

A encefalite herpética é uma emergência neurológica com alta morbimortalidade. A suspeita clínica (febre, cefaleia, alteração comportamental, crises) e os achados típicos do líquor (pleocitose linfocitária, glicorraquia normal, proteínas discretamente elevadas) são cruciais para o diagnóstico precoce, que é confirmado pela PCR para HSV no LCR, permitindo o início imediato do tratamento com aciclovir.

Contexto Educacional

A encefalite herpética é uma forma grave de encefalite viral causada pelo vírus Herpes Simplex (geralmente HSV-1 em adultos e crianças mais velhas, e HSV-2 em neonatos). É a causa mais comum de encefalite esporádica fatal e requer diagnóstico e tratamento urgentes. A apresentação clínica é variada, incluindo febre, cefaleia, alterações de comportamento, crises convulsivas e déficits neurológicos focais, refletindo o tropismo do vírus pelo lobo temporal. O diagnóstico da encefalite herpética baseia-se na suspeita clínica, achados de neuroimagem (ressonância magnética de crânio com alterações nos lobos temporais) e, crucialmente, na análise do líquor (LCR). Os achados típicos do LCR incluem pleocitose linfocitária (aumento de células com predomínio de linfócitos), aumento discreto das proteínas e glicorraquia normal. A ausência de bactérias nas culturas e um lactato normal ajudam a diferenciar de infecções bacterianas. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do DNA do HSV no LCR através da técnica de PCR. Para residentes, é vital reconhecer a importância da punção lombar e da análise do LCR em casos de suspeita de encefalite. A interpretação correta dos parâmetros do LCR, aliada à clínica e aos exames de imagem, permite iniciar o tratamento empírico com aciclovir o mais rápido possível, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à gravidade da doença e à necessidade de intervenção precoce para melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no líquor (LCR) de um paciente com encefalite herpética?

Os achados clássicos incluem pleocitose com predomínio de linfócitos, aumento discreto das proteínas, glicorraquia normal (superior a dois terços da glicemia), lactato normal e culturas bacterianas negativas. O diagnóstico é confirmado pela pesquisa positiva para HSV-1 ou HSV-2 por PCR no LCR.

Por que a glicorraquia é geralmente normal na encefalite viral, ao contrário da bacteriana?

Na encefalite viral, o vírus geralmente não consome glicose do LCR de forma significativa, mantendo a glicorraquia em níveis normais. Já na meningite bacteriana, as bactérias metabolizam a glicose, resultando em glicorraquia reduzida.

Qual a importância da PCR para HSV no diagnóstico da encefalite herpética?

A PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) para HSV no LCR é o método diagnóstico padrão-ouro para encefalite herpética, pois detecta o DNA viral com alta sensibilidade e especificidade, permitindo o início rápido do tratamento antiviral específico com aciclovir, que é crucial para o prognóstico.

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