USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Mulher de 34 anos de idade dá entrada no Pronto-Socorro com história de cefaleia, febre e confusão mental há 3 dias, associada a episódios em que permanecia parada, olhar fixo e movimentos oromastigatórios automáticos, com duração de 2 minutos. Ao exame clínico estava confusa, febril, com rigidez de nuca, sem outros sinais localizatórios. A tomografia de crânio mostrava hipoatenuação discreta e edema em lobo temporal à direita. O eletroencefalograma mostrava atividade periódica lateralizada. Qual é a principal hipótese diagnóstica e o exame confirmatório?
Encefalite herpética: febre, confusão, crises focais, alterações temporais em imagem e EEG → PCR HSV no LCR.
A encefalite herpética é uma emergência neurológica grave, caracterizada por febre, cefaleia, confusão mental e crises epilépticas, com predileção pelos lobos temporais. O diagnóstico precoce e o tratamento antiviral são cruciais para o prognóstico.
A encefalite herpética é a forma mais comum de encefalite esporádica e uma emergência neurológica grave causada principalmente pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1). Caracteriza-se por inflamação do parênquima cerebral, com predileção pelos lobos temporais e estruturas límbicas, levando a um quadro clínico dramático e alto risco de sequelas ou óbito. O quadro clínico típico inclui febre, cefaleia, alterações do estado mental (confusão, desorientação, alterações de personalidade) e crises epilépticas focais ou generalizadas. A tomografia computadorizada ou ressonância magnética frequentemente mostram edema e hipoatenuação (ou hipersinal em T2/FLAIR) nos lobos temporais. O eletroencefalograma pode revelar atividade periódica lateralizada. O diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA do HSV no líquido cefalorraquidiano (LCR) por PCR. O tratamento deve ser iniciado empiricamente com aciclovir intravenoso em altas doses, assim que houver suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial, devido à rápida progressão da doença. O prognóstico depende do início precoce do tratamento.
Os sintomas incluem febre, cefaleia, alterações do estado mental (confusão, desorientação), crises epilépticas (frequentemente focais) e déficits neurológicos focais, como afasia ou hemiparesia.
O vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1) tem um tropismo particular pelo lobo temporal e estruturas límbicas, o que explica as manifestações clínicas como alterações comportamentais, crises focais e achados de imagem nessa região.
O tratamento de escolha é o aciclovir intravenoso em altas doses, iniciado o mais rápido possível após a suspeita clínica, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à sua eficácia em reduzir a morbidade e mortalidade.
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