Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Mulher, 27 anos, apresenta quadro de febre há 48 horas, associado a alteração do comportamento, com irritabilidade alternada com sonolência. É encontrada no seu quarto desacordada, caída no chão com sinais de liberação esfincteriana, sendo levada imediatamente para o pronto-atendimento. Na chegada, está febril (38,5 °C), confusa, desorientada no tempo e no espaço, com pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem sinais meníngeos e com hemiparesia desproporcional à direita. A tomografia de crânio apresenta imagem sugestiva de lesão no lobo temporal esquerdo, sem desvio da linha média. Optou-se pela coleta de líquor, cujo resultado foi: 125 células (predomínio linfocitário: 87%); 60 mg de proteína, 90 mg de glicose e bacterioscopia negativa. A conduta deve ser
Febre + alteração comportamento + sinais focais (hemiparesia) + lesão temporal na TC + líquor linfocitário = Encefalite herpética → Aciclovir imediato.
A encefalite herpética é uma emergência neurológica caracterizada por febre, alteração do estado mental, sinais neurológicos focais (especialmente hemiparesia) e lesões no lobo temporal na TC. O líquor tipicamente mostra pleocitose linfocitária. O tratamento com aciclovir intravenoso deve ser iniciado prontamente, antes mesmo da confirmação por PCR no líquor, devido à alta mortalidade e morbidade se não tratada.
A encefalite herpética (EH) é a forma mais comum de encefalite esporádica e é causada principalmente pelo vírus Herpes Simples tipo 1 (HSV-1). É uma emergência médica devido à sua alta taxa de mortalidade e morbidade neurológica se não tratada precocemente. A EH é caracterizada por uma inflamação aguda do parênquima cerebral, com predileção pelos lobos temporais e frontais. Clinicamente, os pacientes apresentam febre, cefaleia, alteração do estado mental (confusão, irritabilidade, sonolência), convulsões e déficits neurológicos focais, como afasia, hemiparesia ou alterações de memória. A neuroimagem (TC ou RM) frequentemente revela edema e lesões hiperintensas nos lobos temporais. O exame do líquor tipicamente mostra pleocitose linfocitária, proteinorraquia elevada e glicose normal. O tratamento da EH é o aciclovir intravenoso em altas doses, que deve ser iniciado empiricamente na suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial por PCR para HSV no líquor. O atraso no início do tratamento está associado a piores desfechos. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, bem como da gravidade do quadro inicial.
Os achados incluem febre, alteração do nível de consciência ou comportamento, convulsões, e sinais neurológicos focais, como afasia ou hemiparesia, frequentemente associados a lesões nos lobos temporais na neuroimagem.
O aciclovir deve ser iniciado imediatamente devido à alta taxa de mortalidade e morbidade neurológica associada à encefalite herpética não tratada. O atraso no tratamento reduz a chance de recuperação completa.
O líquor tipicamente mostra pleocitose linfocitária, proteinorraquia e glicose normal. O PCR para HSV no líquor é o método diagnóstico de escolha, com alta sensibilidade e especificidade, mas o tratamento não deve aguardar seu resultado.
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