Encefalite Herpética Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de dez anos de idade apresenta, de forma aguda, febre, cefaleia, irritabilidade e, após três dias de evolução em domicílio, apresenta melhora clínica leve. Após 48h da melhora clínica, é levado ao pronto atendimento onde dá entrada para internação com crises convulsivas generalizadas. O líquor apresentou hiperproteinorraquia, pleocitose com 80% de linfócitos e hipoglicorradia leve com glicemia normal. A tomografia de crânio demonstra anormalidades focais temporais. Na impossibilidade de realizar eletroencefalograma, com base na etiologia mais provável para o caso, o tratamento inicial a ser adotado deve ser

Alternativas

  1. A) Penicilina cristalina 200.000 UI/kg/dia.
  2. B) Ceftriexona 50 mg/kg/dia.
  3. C) Aciclovir 30 mg/kg/dia.
  4. D) Ganciglovir 10 mg/kg/dia.
  5. E) Vancomicina 40 mg/kg/dia + ceftriexona 50 mg/kg/dia.

Pérola Clínica

Encefalite com lesões temporais focais na TC + líquor linfocitário + hipoglicorradia leve → Encefalite Herpética = Aciclovir IV empírico.

Resumo-Chave

O quadro clínico (febre, cefaleia, irritabilidade, convulsões, melhora inicial seguida de piora), associado às alterações no líquor (pleocitose linfocitária, hiperproteinorraquia, hipoglicorradia leve) e, principalmente, às anormalidades focais temporais na TC, são altamente sugestivos de encefalite herpética. O tratamento empírico com aciclovir intravenoso deve ser iniciado imediatamente, pois o prognóstico depende da rapidez do início da terapia.

Contexto Educacional

A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, frequentemente de etiologia viral, que pode levar a disfunção neurológica grave. A encefalite herpética, causada pelo vírus Herpes Simplex (HSV), é a forma mais comum de encefalite esporádica e uma das mais devastadoras, com alta taxa de mortalidade e sequelas neurológicas se não tratada precocemente. É crucial para residentes reconhecerem rapidamente essa condição. O diagnóstico da encefalite herpética baseia-se em um conjunto de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Clinicamente, os pacientes podem apresentar febre, cefaleia, alteração do nível de consciência, crises convulsivas e déficits neurológicos focais. O líquor geralmente revela pleocitose linfocitária, hiperproteinorraquia e, por vezes, hipoglicorradia leve. A neuroimagem, especialmente a ressonância magnética, é fundamental, mostrando lesões características nas regiões temporais e frontais. Devido à gravidade da encefalite herpética e à dependência do prognóstico do início rápido do tratamento, o aciclovir intravenoso deve ser iniciado empiricamente em qualquer caso suspeito, mesmo antes da confirmação laboratorial por PCR do líquor para HSV. A dose e a duração do tratamento são cruciais para otimizar os resultados e minimizar as sequelas neurológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos no líquor de um paciente com encefalite herpética?

O líquor na encefalite herpética classicamente apresenta pleocitose linfocitária (aumento de linfócitos), hiperproteinorraquia (aumento de proteínas) e, ocasionalmente, hipoglicorradia leve. A presença de hemácias no líquor também pode ocorrer.

Por que o aciclovir é o tratamento de escolha para encefalite herpética?

O aciclovir é um antiviral específico contra o vírus Herpes Simplex (HSV), principal agente etiológico da encefalite herpética. Ele inibe a replicação viral, e seu uso precoce e em dose adequada é crucial para reduzir a morbimortalidade associada à doença.

Quais achados na tomografia de crânio sugerem encefalite herpética?

A tomografia de crânio pode mostrar edema e hipodensidade nas regiões temporais e frontais, que são as áreas mais comumente afetadas pelo HSV. Em fases mais avançadas, pode haver realce giral e hemorragias focais.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo